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  • Matheus Mans

Crítica: 6 motivos para assistir 'Mãe!', filme de Darren Aronofsky


Geralmente, faço críticas em formatos de lista para os filmes mais "comerciais" e que não teriam tanto apelo e material para um texto analítico completo. Mãe!, novo filme de Darren Aronofsky, foge desta regra. Novo longa do diretor de Cisne Negro e O Lutador é complexo, intrigante e cheio de significados -- todo o filme, seja sua trama ou pequenos detalhes de filmagem, é uma alegoria completa.

Ou seja: tem material de sobra para fazer uma crítica completa. Daria para dissertar em páginas e páginas sobre a obra de Aronofsky tamanha a complexidade de sua trama e a alegoria que a permeia. Assim, resolvi escrever a crítica em lista por um simples motivo: não estragar a experiência de quem ainda não viu Mãe!. Quanto menos souber, melhor. E para quem já viu?

Ainda esta semana irei publicar uma matéria explicando cada detalhe de Mãe!. Por isso, fique atento às nossas redes sociais. Agora, chega de enrolação! Vamos para a lista dos motivos que tornam o novo longa de Darren Aronofsky tão imperdível para assistir nas salas de cinema a partir desta quinta-feira, 21.

DIREÇÃO

Darren Aronofsky tem um talento incrível para a direção de longas -- é só pegar qualquer um de seus filmes para comprovar isso. Em Mãe!, seu talento ganha força exponencial e exala da tela com uma força não vista desde Cisne Negro. Com Aronofsky, o cinema é visto em sua essência, exalando criatividade e singularidade. Para mim, com este filme, ele se consolida em definitivo como uma das principais vozes do cinema moderno -- mesmo com Noé no meio do caminho.

ROTEIRO

Vamos deixar para falar das alegorias e metáforas no texto com spoilers. Aqui, quero ressaltar a habilidade de Aronofsky em unir vários gêneros cinematográficos e sentimentos em um só filme. É terror psicológico, é drama, é filme contestatório. Nas mãos de um roteirista qualquer, Mãe! tinha tudo para ser apenas uma grande e amorfa salada de sentimentos, emoções e histórias. Aqui, porém, ele se transforma em um filme recheado de significados e que, apesar da confusão sobre o que Aronofsky quer dizer com tudo aquilo, não deixa o espectador desistir de acompanhar a história.

DIREÇÃO DE ARTE

A direção de arte, muitas vezes, é totalmente ignorada das críticas e análises de filmes. Em Mãe!, porém, não tem como ignorar o memorável trabalho de Isabelle Guay -- de O Regresso, A Chegada e 300. Em Mãe!, ela consegue dar vida para a casa onde Lawrence e Barden moram de um jeito que não é visto desde A Colina Escarlate, aquele esquecível filme de Guillermo del Toro de 2015. Além disso, há uma riqueza de detalhes que deixa toda trama muito mais interessante e verossímil. Se não fosse o trabalho de Guay, o filme poderia perder muito em potência, singularidade e impacto.

ELENCO

Confesso que sempre torci o nariz para Jennifer Lawrence. Gosto de Jogos Vorazes, mas acreditava que ela ainda não tinha feito um grande papel -- O Lado Bom da Vida é bom, mas falta alguma coisa. Em Mãe!, porém, ela está impecável: consegue transmitir toda aflição que sua personagem sente ao longo da trama. É uma entrega total à personagem e que deve render indicações à prêmios no final do ano. O sempre ótimo Javier Barden não deixa por menos: entrega um tipo misterioso e que, em cada olhar, mostra que tem algo que não é revelado para o espectador.

EFEITOS ESPECIAIS

Claro: este filme não é um novo Star Wars ou algum blockbuster que depende de bons efeitos especiais para sobreviver e ser criado. Pelo contrário. Mãe! é cinema underground feito por um dos diretores que mais entendem da sétima arte neste atual estágio da arte. Os efeitos visuais e especiais de Mãe!, porém, impressionam no final: apesar de um efeito de fogo e chamas bem ruim, há uma digitalização do corpo de Jennifer Lawrence que causa repulsa e faz o espectador sentir que precisa virar o rosto -- mesmo sabendo, é claro, que nada daquilo é real. Embrulha o estômago e mostra como os efeitos especiais, usados em doses moderadas, faz bem para a experiência de um filme.

TRILHA SONORA

Você pode não conhecê-lo de nome, mas Jóhann Jóhannsson é um dos principais compositores de trilhas sonoras para o cinema hoje em dia. Dono de um estilo experimental, que mistura notas graves com ondulações na melodia, Jóhannsson conquista o espectador com sons misteriosos e, em alguns casos, quase tribais -- como é visto em Os Suspeitos e, curiosamente, em A Chegada. Em Mãe! ele trabalha com esta mesma premissa e causa uma sensação estranha em quem está assistindo, fazendo com que o filme fique ainda mais misterioso e 'kafkiano'.

EXCELENTE