• Matheus Mans

'Atualizamos a história', diz Ingrid Guimarães sobre 'De Pernas pro Ar 3'


O filme De Pernas pro Ar surgiu em 2010 quando o mundo ainda estava em ebulição com relação ao feminismo e a emancipação da mulher em temas íntimos e pessoais. Foi um passo enorme, então, o que Mariza Leão, Ingrid Guimarães e Roberto Santucci fizeram ao falar de vibradores e prazer feminino (quase) sem estribeiras. Mas agora, nove anos depois, o tema já está datado. "Todo mundo tem vibrador hoje em dia", disse Ingrid, protagonista do filme, em coletiva de imprensa realizada em São Paulo. "Não dava pra continuar o filme com o mesmo tema. Nós, então, atualizamos essa história."

Assim, De Pernas pro Ar 3 volta a contar a história de Alice Segretto (Guimarães). Mas, desta vez, ela começa a ver uma clara defasagem de seus produtos em relação ao mercado do sexo. Principalmente quando entra em contato com a jovem empreendedora Leona (Samya Pascotto), que está desenvolvendo um óculo de realidade virtual que consegue colocar as pessoas em verdadeiras fantasias sexuais -- como ter um encontro amoroso com Cauã Reymond, no caso da protagonista. Com essa mudança de cenário, ela acaba entrando numa crise com o marido (Bruno Garcia) e sua família.

"Ficamos pressionados a fazer uma continuação depois do sucesso do segundo filme", disse Mariza Leão, produtora e criadora da franquia. "A gente esperou, então, que a história da Alice tivesse uma continuação natural, que não ficasse forçada. E a própria sociedade evoluiu nesse sentido. O feminismo ganhou força, aumentaram os debates sobre o papel da mulher. E a tecnologia, enquanto isso, saiu do vibrador e foi para a área dos conectados, da realidade virtual. O terceiro filme da franquia surgiu pra gente."

No entanto, o roteirista Marcelo Saback disse que ainda teve dificuldades. "Escrevi com muito Rivotril", disse, bem-humorado. "A gente tinha o escopo e a temática desse novo filme, mas não encontrávamos o tom ideal. Depois, descobri que a gente precisava focar nos personagens. De Pernas pro Ar 3, ao contrário do que a gente estava acostumado a fazer, vai para o lado mais humano, das relações entre as pessoas, do que pra história."

Transformação. Acompanhar uma franquia envelhecer e se transformar ao longo de nove anos também tem suas particularidades divertidas. Eduardo Melo, que faz o filho da protagonista, começou no primeiro filme com 11 anos e era a criança do set. A atual diretora da franquia, Julia Rezende, era assistente de direção e uma das responsáveis por cuidar de Melo nos bastidores. "Eu era a tia que perguntava pra ele, toda hora, se queria ir no banheiro, se precisava de alguma coisa", comentou a cineasta na coletiva.

"Foi muito difícil conciliar todas as agendas, mas era preciso retomar o elenco", comentou Bruno Garcia. Ingrid Guimarães, enquanto isso, fez outra comparação divertida com a situação de Eduardo Melo no set. "No segundo filme, a gente levou ele pra assistir O Fantasma da Ópera. Era muito bonitinho", disse a atriz. "Agora, no terceiro filme, a gente tava saindo pra beber com ele em Paris. O mundo mudou mesmo."

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