• Matheus Mans

Autora de 'Eu Me Amo Mesmo?' fala sobre inspiração e mercado literário


A autora Andressa Gonçalves tem apenas 20 anos, mas já está no mercado literário. A brasiliense acaba de lançar o livro Eu Me Amo Mesmo?, uma coletânea de poesias, textos e pensatas sobre relacionamentos, solidão, amor próprio e uma série de outros temas pertinentes pela editora Novo Século. É um livro diferenciado, até mesmo provocador, que se destaca.


Por isso, o Esquina foi atrás de Andressa para entender melhor. Entender a carreira da jovem escritora, os novos planos, as inspirações e até sobre os desafios de escrever textos tão profundos e, por vezes, íntimos. A conversa completa com a escritora brasiliense está logo abaixo, na íntegra. E a resenha de Eu Me Amo Mesmo? você pode ler e se entreter clicando aqui.


Esquina da Cultura: De onde veio a ideia de escrever 'Eu Me Amo Mesmo?'? Foi algo escrito ao longo do tempo? Ou já estava direcionado para ser um livro?


Andressa Gonçalves: A ideia do livro só surgiu quando ele estava praticamente pronto; tinha muito conteúdo quando decidi que iria fazer um livro. Sempre escrevi, desde criança, sempre ando com um caderno ou escrevo no bloco de notas do celular. Já o livro surgiu em agosto de 2019, quando estava passando por um momento difícil na vida e precisava de um recomeço, precisava provar para eu mesma o meu potencial. Então fui para o meu café favorito e escrevi o que hoje é o prólogo do livro. Depois reuni os escritos que tinha desde meados de 2017 e fui selecionando o que entraria no livro e fui produzindo coisas novas.


Esquina: Achei muito interessante a escolha de diagramação, com amplos espaços e respiros entre os textos. Como foi a escolha desse design?


Andressa: A escolha do design foi feita junto com a editora. Desenvolvemos uma identidade visual para o livro que combinasse com o estilo do conteúdo, mas a ideia era que cada texto ficasse em uma página para que desse a sensação de que aquilo é um pensamento isolado. Sempre que estamos pensando em algo temos aquele pensamento mais importante no meio de tudo, que nos faz refletir. Então queria que cada página fosse um texto ou até mesmo só um trecho para ser desse imaginário de cada página ser um pensamento único, uma sensação ou momento, assim como foi quando eu escrevi. Aquele espaço pode ser onde cada pessoa vai lembrar de algo que viveu e sentiu.


Esquina: Senti que os textos, claro, falam muito sobre você. Mas também podem ser entendidos e compreendidos por qualquer outra pessoa que encontrar em contato com o livro. Como adquirir esse aspecto universal, que mexe com os leitores, sem perder a personalidade?


Andressa: Tem uma frase do diretor de cinema Martin Scorsese que ficou muito famosa no Oscar desse ano [por conta de uma fala do] diretor de Parasita, que é: "quanto mais pessoal, mais criativo". Acho que quando escrevemos o que temos de mais íntimo e pessoal aquilo se torna atrativo, pois é real. Sempre tem alguém que vai se identificar com a história que você quer contar, seja ela sobre um relacionamento abusivo, uma paixão platônica, uma traição ou um amor não correspondido. Nossas vivências nos tornam únicos e isso dá a personalidade em cada trecho. Assim, quem ler vai se deparar com momentos que talvez já passou ou viu alguém passando. Escrever de forma universal é colocar em palavras o que temos de mais profundo de uma forma simples e aí em algum lugar alguém vai ler e se identificar. E também acho que não é escrever sobre alguém ou algo, como se fosse algo direcionado, mas escrever sobre o que sentiu, como viu e viveu tudo e acho que isso que permite que as pessoas se identifiquem


Esquina: Temos muitos jovens escritores por aí tentando publicação. Quais dicas você daria para essas pessoas?


Andressa: Fico muito feliz quando vejo pessoas da minha idade ou mais novas escrevendo, lendo e querendo publicar suas obras. Minha dica como jovem autora é que essas pessoas acreditem no potencial que tem e não desistam, procurem formas e lugares que os acolham, projetos ou concursos, editoras que publicam novos autores, editoras independentes. Façam o mercado literário sempre se movimentar, pois ainda é um mercado difícil para qualquer um e principalmente quando quer fazer a primeira publicação. Acredito que é um privilégio publicar um livro tão jovem mas é possível realizar esse sonho de alguma forma.


Esquina: E já tem projetos futuros? Tem algum novo livro já engatilhado?


Andressa: Por enquanto estou focada nesse livro. A pandemia deu uma atrasada nos planos de todo mundo, então ainda preciso fazer uma sessão de autógrafos. Ele também se tornou meu trabalho de conclusão de curso na universidade. Tenho outros dois esboços de livros meio parados mas sigo escrevendo sempre que possível, um segue o mesmo estilo do Eu Me Amo Mesmo?, de crônicas e poesia, e o outro é um romance de época. Mas isso é daqui um tempo. Penso em publicar mais pra frente, principalmente o romance.

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