• Matheus Mans e Bárbara Zago

‘Bye Bye Alemanha’ mostra novo olhar sobre Segunda Guerra Mundial


É muito difícil fazer graça com algumas situações. A Segunda Guerra Mundial é uma delas. Até hoje, só Charlie Chaplin e Roberto Benigni conseguiram colocar humor sobre o sombrio período da história -- contando, ainda, com fortes elementos críticos e de drama envolvidos na equação. Agora, o diretor Sam Garbarski tenta entrar nesta lista com Bye Bye Alemanha, filme que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 24, e que acompanha um grupo de judeus após o fim da guerra mundial.

Na história, acompanhamos David (Moritz Bleibtreu), um judeu que tenta sair da Alemanha após o fim da guerra, mas que tem seu visto negado. A solução, então, é se juntar a outros judeus para sobreviver em um cenário desolador, onde os alemães tentam entender tudo o que acabou de acontecer. Juntos, então, eles começam a vender produtos de cama, mesa e banho para alemães que perderam o filho nos conflitos, enquanto aguardam um meio de sair do país.

“Não é um filme sobre a Segunda Guerra Mundial. É um filme que se passa logo depois. É um período pouco retratado e que mostra a tentativa dos judeus se adaptarem ao país”, afirma o diretor Sam Garbarski sobre sua inspiração em entrevista ao Esquina. “A história se desenrolou de um jeito muito natural, já que era um filme que estava querendo fazer há algum tempo.”

Para conduzir esta história, o roteiro assinado por Garbarski e por Michel Begmann usa e abusa do humor em diferentes linhas temporais. Ao invés de contar uma única trama linear, o filme mostra flashbacks dos campos de concentração, a vida de David tentando vender os seus produtos e também uma subtrama onde o judeu em questão é investigado após fortes suspeitas de que ele estaria envolvido com os nazistas quando esteve preso em um campo de concentração.

O humor dessas situações, então, fica no limiar do aceitável e muitas das piadas beiram o ficcional -- difícil, afinal, acreditar que um judeu que viveu os horrores da Segunda Guerra Mundial vá fazer piada com a situação pouco tempo depois de sair de um dos campos de concentração da Alemanha. Além disso, a junção do drama história com humor exagerado perde o tom em alguns momentos.

Ao Esquina, Sam Garbarski justifica o uso de humor para contar esta história. “O humor, em algumas situação, é importante para causar empatia no público e suavizar a história que estamos contando”, afirma o diretor em entrevista por telefone. “Junto com Begmann, quis imprimir momentos bem humorados na história de Bye Bye Alemanha para que o filme não seja um amontado histórico de situações.”

Além disso, o filme acaba pecando pelo ritmo um tanto quanto cansativo de sua história. Afinal, tudo parece uma grande repetição: David vai para o interrogatório, interrompido por inúmeros flashbacks e piadas, e logo depois sai do local quando bem entende. Faz algumas coisas fora dali e, no dia seguinte, volta ao interrogatório. É um roteiro que se repete, sem surpreender o espectador.

Bye Bye Alemanha só não cai no inaceitável por conta de um elemento: Moritz Bleibtreu. O ator alemão, de Corra Lola Corra, carrega o filme nas costas, colocando leveza no filme e dando delicadeza para uma série de piadas que o diretor Sam Garbarski não consegue dar suavidade. Bleibtreu não é um Roberto Benigni ou Charlie Chaplin, mas mostra que tem um grande potencial e salva o filme em sua conclusão.

No final, apesar de leve e divertido, fica a dúvida sobre as concessões históricas feitas pelo diretor para que o humor tivesse efeito. É estranho ver judeus pouco afetados. Faltou delicadeza à Garbarski, que já se mostrou competente com O Tango de Rashevski. Fica uma história divertida, com boa atuação de Moritz, mas que não consegue acrescentar em nada à Segunda Guerra Mundial. Uma pena.

BOM

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