Buscar
  • Matheus Mans

Crítica: Cheio de erros, 'Monster Hunter' é passatempo em essência


Vamos começar pelo óbvio ululante: filmes inspirados em jogos de videogame são um problema que Hollywood ainda não conseguiu contornar. De Assassin's Creed a Tomb Raider, de Super Mario Bros. a Warcraft. É difícil achar um único longa-metragem que agrade crítica e público de forma cristalina. E Monster Hunter, infelizmente, é mais uma adaptação a entrar na mesmice.


Mas isso não é surpresa. Este longa-metragem foi entregue nas mãos de Paul W. S. Anderson, diretor que só tem talento pela similaridade de seu nome com Paul Thomas Anderson. Antes desse filme de 2021, o cineasta entregou filmes de qualidade questionável e que se mostraram adaptações fracas de games, como a franquia Resident Evil e o vergonhoso filme Mortal Kombat.


Por um lado, há um certo alívio em Monster Hunter não ser seu pior trabalho (apesar de também não ser o melhor, posto que continua com o inesperado Pompeia). Nesta nova adaptação dos games, a diversão é garantida. A história de uma militar (Milla Jovovich, esposa do diretor) que vai parar em uma realidade com monstros é certeza de pipoca e refrigerante.


Afinal, a jornada dessa protagonista acaba seguindo um caminho lógico, mas com altos e baixos interessantes. O espectador que desligar a descrença em cenas absurdas e embarcar nos objetivos dessa personagem sem dúvidas vai encontrar um poço de entretenimento. Ela corre de um lado para o outro, se dá mal, rapidamente resolve a situação, faz piadinhas e por aí vai.


No entanto, não dá para avaliarmos um filme apenas pelo seu grau de diversão. É preciso pensar também na questão: há qualidade nisso aqui? Ou é apenas um filme que quer capitalizar em cima de um jogo? Não é preciso pensar muito para apontar para esse segundo caminho. Monster Hunter, ainda que não seja tão chato quanto Transformers, é vazio de qualquer coisa.


A direção de Anderson é uma bagunça, complicando a edição de Doobie White (que se saiu bem recentemente em Polar). O filme parece um conjunto de esquetes que se repetem sem fim, usando e abusando da falta de lógica e de marcas técnicas que cansam -- os excessivos jump scares com som alto, as tentativas de reviravolta que começam e terminam iguais, e por aí vai.


Em determinada cena da rodagem, Jovovich é capturada por uma horda de aranhas monstruosas. Acorda numa espécie de "mundo das aranhas", com teias para todos os lados. A sensação é de que não há saída. No entanto, isso não existe para Paul W. S. Anderson. Rapidamente ela sai de lá, mata umas aranhas, coloca projéteis no fogo e escapa quase ilesa.


Essa cena, que se repete em essência ao longo dos mais de 100 minutos, é uma bobagem que parece nortear o trabalho do diretor. São sucessivos erros e quebras da lógica que parecem não se importar com o espectador. O que manda aqui é a diversão. Com isso, muito acaba sendo sacrificado em prol de entretenimento. Pra quê um roteiro coeso se as pessoas vão se divertir, não é mesmo?


O elenco, infelizmente, também acaba embarcando nessa maré de caos de Monster Hunter. Jovovich parece reprisar seu papel de Resident Evil, sem grandes surpresas. Tony Jaa (Jiu Jitsu) mostra mais uma vez que sabe lutar, mas não atuar. E Ron Perlman (Hellboy) chega a estar tosco na tela com uma peruca estranha e alguns momentos perdidos de edição — há uma cena “sobrando” da edição, com Perlman, que chega a dar dó do veterano ator americano.

E Nanda Costa? A brasileira, que foi bastante divulgada nos últimos tempos por estar no filme, aparece por dois momentos na tela por menos de 10 segundos cada. Uma pena, já que ela é uma atriz competente e teria sido interessante vê-la em um papel internacional — por mais que, mais uma vez, coloquem brasileiros falando espanhol como se a América Latina fosse uma coisa só. URGH.

Assim, Monster Hunter é um filme com problemas. O roteiro é bagunçado, a direção é um caos, a edição repetitiva. Além disso, falta originalidade nessa história que parece uma mistura estranha de Mad Max, Michael Bay e Velozes & Furiosos. Como dito, a diversão é garantia, sem chatice aqui. Mas quem espera uma boa adaptação ou um filme que empolgue, vai se decepcionar.







0 comentário