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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'A Gestora', da Netflix, é filme morno que não decola


No mesmo dia em que lançou o interessante Passei por Aqui, a Netflix resolveu apostar em uma outra história com tons de thriller que nem cheira nem fede: o fraco espanhol A Gestora, estreia também desta quarta-feira, 31. Dirigido por Fran Torres (Duelo) e roteirizado por Laura Sarmiento Pallarés (La Zona), o longa-metragem conta a história da jovem Sofia (Cumelen Sanz), que se torna uma espécie de "presa" nas mãos da chefe Beatriz (Aitana Sánchez-Gijón).


Como? Depois de começar como estagiária na empresa de moda da mulher, numa dinâmica que lembra O Diabo Veste Prada, Sofia engravida. E agora? Como fica o trabalho dos sonhos? É aí que surge a história que leva o filme pra frente, com Beatriz dizendo que vai ficar com o filho da jovem estagiária e, em compensação, oferecendo fundos e mundos. A partir daí, cria-se uma relação tóxica, onde os limites não ficam bem estabelecidos. Até onde cada uma pode ir, afinal?


Apesar da ideia boa e que poderia render um filme realmente tenso, Fran Torres simplesmente não consegue avançar na história. Fica andando em círculos, em busca de um frio de interesse que não decola. Isso acontece por dois motivos. Primeiramente, as atuações são impassíveis demais, sem vida. Principalmente de Cumelen Sanz (Não se Esqueça de Mim), que parece não acompanhar tudo que acontece ao redor. Falha de direção ou de atuação? Fica, então, a dúvida.


O outro problema é como a história nunca abraça o thriller e a tensão realmente como promete. Em determinado momento, fica até mesmo a dúvida de qual história está sendo contada aqui -- é um drama, um suspense, o que? É até interessante o desejo de borrar certos limites e brincar com significados e signos de gêneros. Mas A Gestora acaba sobrando em um limbo. Além disso, apesar da clara intenção de odiar Beatriz, é Sofia que acaba se tornando rapidamente irritante.


Enfim: A Gestora até tenta, nos últimos 30 minutos, recuperar o fôlego com uma reviravolta, que deixa a situação toda sob outro prisma. Mas já é tarde. O filme perdeu a vitalidade, não convence e se afasta exageradamente de situações plausíveis. Fica a sensação de que se fosse uma construção crescente, com essa reviravolta mais cedo e uma inversão de papéis mais clara, tudo poderia ser mais fluído, tenso e interessante. Do jeito que ficou, é apenas um filme morno.

 

1 comentário

1 comentário


Antonio Shamah
Antonio Shamah
17 de nov. de 2022

Filme morno é um elogio para a roteirista e a diretora. Filme chega a ser irritante.

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