• Beatriz Marques

Crítica: 'A Mente do Assassino: Aaron Hernandez', da Netflix, discute a máquina do esporte

Atualizado: Jan 21


Aproveitando a pós-temporada e a consequente alta do futebol americano em janeiro, a Netflix acaba de lançar a minissérie documental A Mente do Assassino, sobre o caso Aaron Hernandez.


Desde o começo, não há dúvidas de que Aaron tinha um futuro brilhante no futebol americano. Desde o Ensino Médio, o norte-americano já de destacava no esporte. No entanto, uma investigação do assassinato do namorado da irmã de sua noiva muda a vida de Aaron, logo após conseguir um contrato de mais de US$ 40 milhões de com o clube New England Patriots.


Será que ele é o assassino? O que aconteceu? Qual a motivação? Matou sozinho? Mandou matar? São essas as questões que permeia o longa-metragem seriado, dividido em 3 episódios.


No campo


Para aqueles que não estão familiarizados com o futebol americano, um breve resumo: o jogo consiste em diversas estratégias, por parte dos dois times, para conseguir chegar no final do campo. No entanto, é claro, o jogo vai muito além dessas estratégias, exigindo dos jogares um extremo preparo físico e uma alta resistência a quedas, batidas com rivais e contusões.


Documentários muitas vezes são tendenciosos e não dá para dizer que o registro sobre o jogador não foi, de certa forma, tendencioso. Porém, é possível afirmar que praticamente todos os pontos de vista foram abordados nas três horas deste novo documentário da Netflix.


Discutindo desde a sexualidade, infância e traumas até a máquina de dinheiro que é a NFL e o futebol americano como um todo, o documentário não deixa passar um detalhe. Há, porém, a tendência a colocar o jogador e o esporte como culpados, justificadas por uma série de evidências explanadas na minissérie, como falta de cuidado com machucados e coisas do tipo.


Mas é importante ressaltar que não é de hoje que jogadores da NFL (National Football League) apresentam problemas relacionados a traumas cranianos e comportamentos agressivos.


Traumas, aliás, inclusive que já levaram jogadores a cometerem ato inimagináveis, resultando na descoberta de uma nova doença cerebral. A CTE (Chronic Traumatic Encephalopathy), ou Encefalopatia Traumática Crônica, em português, é uma doença neurodegenerativa causada por repetidos impactos na cabeça, comuns nos jogos de futebol americano, de extremo contato.


Inclusive, a descoberta dessa doença foi associada ao jogo e excelentemente bem retratada no filme Um Homem Entre Gigantes, com Will Smith, e também disponível na Netflix brasileira.


Indo além


Além disso, a cobertura da mídia também é colocada como um ponto de extrema importância para o desenvolvimento do caso e o seu trágico fim. Uma discussão sobre o que deve e o que não deve ser feito durante um julgamento delicado como esse, mesmo que de uma figura pública, é colocado durante partes da minissérie, explorando o sensacionalismo exagerado.


A minissérie é perfeita para tanto os amantes do esporte, quanto para os aficionados a investigações e séries criminais. Com três episódios de aproximadamente uma hora cada, a série prende tanto o espectador que é impossível parar de ver. O único defeito são algumas opiniões extremamente tendenciosas de conhecidos do ex-jogador que aparecem constantemente, quebrando um pouco da narrativa e deixando-a um pouco menos interessante.

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