Crítica: ‘A Morte de um Unicórnio’ é um ‘eat the rich’ sem inspiração
- Matheus Mans

- 28 de jul. de 2025
- 2 min de leitura

Elliot (Paul Rudd) está a caminho do negócio de sua vida. Vai fechar um acordo advocatício com um grupo milionário, liderado pelo patriarca Odell (Richard E. Grant), e quer garantir a tranquilidade da vida de sua filha (Jenna Ortega) -- que, aliás, está acompanhando o pai na viagem. O problema é que no meio do caminho eles atropelam e matam um unicórnio. Logo depois, a vida deles vira o caos, principalmente quando os pais da criatura decidem ir atrás.
Essa é a trama de A Morte de um Unicórnio, longa-metragem que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 31. Dirigido e roteirizado pelo estreante Alex Scharfman, o filme é o típico “eat the rich”: ou seja, tramas em que milionários são mortos -- algo que já vimos em bobagens como Saltburn e em grandes filmes como O Menu ou Parasita. Aqui, no caso, o “assassino” é a criatura mitológica que dá nome ao filme, na vingança pelo bebê morto.
Nessa mistura de realismo mágico com “eat the rich”, que poderia render algo minimamente interessante, o longa-metragem se perde nas duas propostas. Não está nem lá, nem cá.
Toda a trama dos unicórnios, que poderia render um filme interessante com uma releitura afiada sobre essas criaturas, é desperdiçada em um texto que se preocupa em colocar os cavalos com chifres apenas como criaturas imortais e que matam os outros com uma chifrada. Scharfman não desenvolve nada de maneira concreta -- há apenas cartazes sobre uma história envolvendo mitos e fábulas da Idade Média, mas as impressões ficam esquecidas no chão da casa dos milionários e nunca são recuperadas ou aprofundadas.
Do outro lado da trama, sem muita conversa com as criaturas, A Morte de um Unicórnio tenta mostrar como esses ricos são ignorantes e alheios ao mundo ao seu redor, mas novamente Scharfman não mergulha em todas as possibilidades. Mesmo com nomes de peso compondo esse elenco dos ricos, como Grant, Will Poulter e Téa Leoni, tudo fica um tanto abstrato demais. São vilões apenas pelo fato de serem vilões -- ou, claro, milionários.
A sensação que fica é que o filme é uma grande pataquada e que nada é aproveitado. Tem um momento divertido aqui e ali, principalmente quando o cineasta percebe o poder cômico dos unicórnios, mas a graça do filme frequentemente é atravessada pela tentativa de fazer um comentário político ou social sobre esses milionários. No entanto, isso se repete: Scharfman tenta e não chega lá. Para na metade, talvez com medo de complicar demais a linha de raciocínio, e esses comentários nunca ganham profundidade. É tudo pela metade.
A Morte de um Unicórnio é um filme de tentativas, não de ações concretas. Vitimado pela falta de experiência com seu primeiro longa, Scharfman desperdiça elenco e uma boa ideia. No final, fica até abaixo de filmes medianos de “eat the rich”, como o bobo (e deliciosamente divertido) A Caçada. Sem descobrir seu grande diferencial ou uma forma de conectar unicórnios e milionários, o filme sobra e dificilmente será lembrado semana que vem.





