• Bárbara Zago

Crítica: Apesar da nostalgia, novo 'Jogos Mortais' é desnecessário


Jogos Mortais, franquia idealizada por James Wan (de Invocação do Mal), foi provavelmente a série de filmes de terror com maior relevância no cinema nos anos 2000. O primeiro filme foi lançado em 2004, mas confesso que só criei coragem para assisti-lo em 2007, quando já havia sido lançado outras três continuações. Mesmo sem saber da história, sentia um certo incômodo com a figura de Jigsaw: boneco com olhos vermelhos que andava numa bicicleta e que aterrorizou seu público da época.

Hoje, quando assisto um filme de terror me pego pensando "será que essa personagem vai ser lembrado daqui uns anos?". A grande maioria das pessoas sabe dizer quem é Jason ou Freddy Krueger, mesmo sem ter visto seus filmes. Acredito que o mesmo aconteceu com o Jigsaw. E por isso foi difícil conter a ansiedade ao saber do novo filme da franquia de terror, que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 30, com distribuição nacional pela Paris Filmes.

Dificilmente o segundo filme de uma franquia consegue superar o primeiro, quem dirá seu oitavo. Com Jogos Mortais: Jigsaw não foi diferente. O longa é dividido em dois momentos, um responsável pela história, um outro pela violência gráfica. Enquanto médicos forenses, Logan (Matt Passmore) e Eleanor (Hannah Emily Anderson), investigam diferentes mortes que parecem ter sido cometidas por Jigsaw, o espectador também acompanha vítimas do serial killer presas num celeiro.

Essa dinâmica de troca de contexto não é boa nem ruim, mas acaba, na verdade, agindo como um modelo compensatório; antes de chegar no auge da história ou da tortura, a direção realiza um corte brusco. Não chega a ser entediante, mas também não emociona.

A franquia trouxe o oitavo filme como uma espécie de volta triunfal, quase uma homenagem à Jigsaw. Mas falhou. O primeiro grande erro é mostrá-lo no início do filme. Rever aquele personagem traz uma nostalgia, mas o momento é tão impróprio que acaba perdendo seu efeito potencial. Apesar disso, Jogos Mortais: Jigsaw conserva bem o caráter do assassino. Enfatiza, até mais do que o necessário, como seu objetivo não é matar, visto que sempre dá à vítima a opção de sobreviver. Pelo contrário, preza para que passe a apreciar a vida.

É interessante como neste último filme as personagens que estão sendo torturadas parecem entender muito claramente que aquilo é um jogo e, portanto, as regras precisam ser seguidas. Não apenas enfraquece o conjunto da obra, como revela a péssima atuação da maioria do elenco. Ainda assim, gosto de crer que foi apenas uma técnica para ilustrar a importância do legado deixado pelo serial killer.

Com mortes absurdas, ao mesmo tempo que bem elaboradas, o filme ainda se apoia na tortura psicológica e violência gráfica. A história, ainda que com reviravoltas, não é algo tão marcante assim. Além disso, essas mudanças repentinas na trama acabam por revelar muitos furos no roteiro, que incomodam.

Àqueles que apreciam as mortes estratégicas que são vistas em Jogos Mortais desde o primeiro filme, provavelmente acabarão sentindo-se contemplados. Já os que esperam uma grande volta e uma homenagem ao legado do boneco, provavelmente sairão da sala de cinema decepcionados. Assim como a maioria das continuações, Jogos Mortais: Jigsaw inova muito pouco. O roteiro é fraco e o elenco é lamentável, mas pode valer a pena o preço do ingresso para rever Jigsaw mais uma vez nas telas.

REGULAR

#Terror #Crítica #Franquia #Cinema #Filme