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  • João Pedro Yazaki

Crítica: ‘Army of the Dead’, da Netflix, é mais um filme pretensioso de Zack Snyder


O ano de 2021 está sendo movimentado para Zack Snyder. Em março, finalmente foi lançada a sua versão tão aguardada de Liga da Justiça. Dois meses depois, em parceria com a Netflix, chega a sua mais nova obra autoral: Army of the Dead: Invasão em Las Vegas. Aqui, ele comanda a direção, o roteiro e a cinematografia de forma independente, sem interferência de estúdio algum como aconteceu na Warner. Será que deu certo?


A premissa é simples: um apocalipse zumbi toma conta de Las Vegas, que consegue ser isolada antes do caos se espalhar pelo mundo. Assim sendo, o governo dos EUA decide usar uma bomba nuclear para destruir de vez os mortos-vivos, porém um grupo de mercenários liderados por Scott (Dave Bautista) possui a seguinte missão: dois dias antes da bomba explodir, eles precisam invadir a zona de quarentena e saquear 200 milhões de dólares parados no cofre de um cassino da cidade.


Inicialmente, a história é bem intrigante. Vemos Las Vegas se transformar rapidamente em uma zona de horror infestada por zumbis em uma belíssima cena de abertura, na qual Snyder utiliza de seus talentos com videoclipes para entregar ótimos 15 minutos iniciais. Percebemos, também, que a narrativa foi direto ao ponto: nos apresentou a missão principal e seus protagonistas, cada um com suas motivações. A impressão que se tem no começo, é de ser uma aventura despretensiosa, com cenas de ação envolventes e divertidas. Infelizmente, não foi bem assim.


Não demora para a ‘Snyderzice’ tomar conta e o filme se transformar em uma gororoba praticamente intragável. Em longuíssimas 2 horas e 30 minutos, a narrativa se arrasta em dezenas de conflitos diferentes, todos sem força e completamente desconexos. Ao invés de focar em uma história pequena, Zack Snyder insiste em sempre querer fazer algo grande; espetacular, com uma fotografia exagerada e arcos narrativos em excesso.

Além disso, os personagens estão longe de serem carismáticos, o ritmo é atrapalhado por uma montagem confusa e a história nunca engata de vez. Somos constantemente apresentados a novos assuntos que não ganham o devido destaque. O enredo pretensioso fica circundando inúmeros arcos diferentes sem jamais aprofundá-los.


Outro fator frustrante é o filme ter potencial para ser bem mais agradável. Por exemplo, o personagem de Dave Bautista não é ruim, porém é porcamente trabalhado. Vemos lá no fundo algumas motivações e um passado interessante, além da boa performance do ator. O filme tenta investir no relacionamento de Scott com sua filha Kate, interpretada pela promissora Ella Purnell. Funcionaria muito bem se o diretor não insistisse em mostrar vários outros personagens completamente insignificantes.


O potencial também está na própria premissa. Embora simples, ela foge um pouco do que já conhecemos, trazendo o apocalipse em menor escala, além de mesclar os gêneros de zumbi e heist (geralmente tratando de assaltos a banco). No entanto, na emoção de querer colocar tudo dentro de um filme, Snyder se perde totalmente em um roteiro sem pé nem cabeça. O filme é tão bagunçado, que nem mesmo sua famosa cinematografia funciona.


Army of the Dead: Invasão em Las Vegas revela todos os defeitos de Zack Snyder como diretor e roteirista. É a prova concreta de que ele precisa de pessoas ao seu redor para manter os pés no chão. Caso o contrário, surge um filme exatamente igual a esse, ou seja, pouco carismático, confuso, sem ritmo e de narrativa fraquíssima. A diversão aparece nos minutos iniciais e em alguns momentos rasteiros. Para conseguir engolir tudo, o espectador precisa se desligar completamente. Tarefa árdua, mas possível de ser feita.

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