Buscar
  • Matheus Mans

Crítica: Bagunçado e estático, 'Lua Vermelha' é quase exercício de meditação


Nunca achei que diria isso, mas quase que atingi um certo grau de relaxamento vendo um "filme de monstros". No caso, é esta produção espanhola, Lua Vermelha, que integra a seleção da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo 2020. Ainda que tenha uma proposta ousada e um tanto quanto criativa, o filme acaba refém de sua execução monótona e tom abstrato demais.


Mas vamos por partes. O longa-metragem acompanha a história de uma cidade costeira da Espanha. Com influências folclóricas e místicas, há um monstro que ataca a região. Enquanto isso, os habitantes ficam estáticos por ali. Ouvimos apenas suas vozes, em off, sem nenhum tipo de ação. Depois, ainda chegam feiticeiras, fantasmas, etc. Um conto moderno e intenso.


No entanto, apesar dessas presenças sobrenaturais e fantasiosas, Lua Vermelha não é um filme sobre mitos ou lendas. É sobre pessoas, essa cidade refém de algo místico. Da Lua vermelha.

A ideia é boa e, principalmente, a execução tem uma poesia que encanta. A fotografia do próprio Lois Patiño -- que assume também o posto de diretor -- é estonteante. Os tons avermelhados dão a profundidade necessária e criam o propósito. É impossível não ficar realmente impactado. Algumas delas lembram Terrence Malick em seu ápice da poesia e do abstratismo audiovisual.


No entanto, conforme o filme avança, um problema vai ficando evidente: a falta de profundidade. Por conta de uma bagunça narrativa nunca resolvida e pelo seu tom exageradamente estático, a sensação é de que o filme nunca avança. Nunca traz discussões pertinentes. Lembra um pouco de O Tremor, filme indiano também selecionado para Mostra. Está tudo ali, mas não "acontece".


No final, fica apenas a beleza das cenas, o espetacular da fotografia e um punhado de boas ideias. Não há profundidade além dessa poça abstrata que, me pergunto, vai agradar quem? Parece mais um exercício de meditação pronto, usando monstros e uma eterna narração em off. Gosto de ousadia no cinema, mas quando tem propósito. Infelizmente, não é o caso deste filme.

#Crítica #Cinema #Drama #Mostra2020 #MostraInternacionaldeCinema #CoberturaEspecial