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  • Matheus Mans

Crítica: 'Bem-Vindo à Chechênia' é bom documentário sobre homofobia


Que pancada. Só assim para começar uma crítica sobre o potente documentário Bem-Vindo à Chechênia, longa-metragem com produção da HBO e exibido na 44º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Triste e melancólico, o filme mostra o autoritarismo do governo da Chechênia, um pequeno estado ao sudoeste da Rússia e que tem a homofobia como lei oficial.


Afinal, Ramzan Kadyrov, presidente da Chechênia, é um político de direita clássico, com viés autoritário. Apela para um conservadorismo exagerado, sua religião é a única fé absoluta e, por fim, não tolera a homossexualidade. Ali, para ele, não existem gays. E se existem, devem cair o fora dali. No entanto, nada de extradição -- o que já seria um absurdo. Mas, sim, o extermínio.


A partir desse cenário aterrorizante, saído diretamente da década de 1940, o longa-metragem Bem-Vindo à Chechênia mostra a história de alguns integrantes dessa comunidade LGBTQI+. Como fazem para sobreviver? Como fugir? Como não ser descoberto? São histórias acompanhadas por esmero pelo diretor David France, que trata tudo com respeito e delicadeza.

Além disso, para tomar cuidado com a identidade dos envolvidos e entrevistados, France opta por colocar uma "máscara digital". Ou seja: nada daquele borrão ou coisas do tipo. A partir dessa nova tecnologia, Bem-Vindo à Chechênia busca naturalizar o borrão e, ainda, manter a emoção necessária. Por um lado, funciona totalmente. Por outro, porém, acaba se tornando artificial.


Por fim, vale ressaltar que o ritmo do longa-metragem não é impecável. Algumas histórias funcionam mais do que outras, apesar da importância de cada uma delas. Com isso, Bem-Vindo à Chechênia tem algumas "barrigas", alguns vazios narrativos que realmente atrapalham a experiência. No entanto, vale dizer, esse ritmo geralmente passa por uma recuperação rápida.


Enfim, Bem-Vindo à Chechênia deve ser enxergado mais do que como um simples documentário, assim como o recente nacional Indianara. É um potente filme-denúncia, que vai além de suas necessidades fílmicas. Mostra como ainda existem locais em que a intolerância transborda. E abre nossos olhos para o caminho que todo o mundo está caminhando.

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