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  • Matheus Mans

Crítica: 'Bliss', do Amazon Prime Video, é filme simplório que se perde nas ideias


Não há dúvidas de que o diretor e roteirista Mike Cahill tinha uma grande ideia em mãos com Bliss -- afinal, ele é a mente por trás do excelente I, Origens. No entanto, uma pena: o filme original do Amazon Prime Video não consegue acompanhar a boa ideia original e, em um meio-termo entre Complicações do Amor e Entre Realidades, acaba se perdendo nas pretensões.


Mas, como sempre, vamos por partes. O longa-metragem conta a história de Greg (Owen Wilson), um homem que está vendo a felicidade da vida escorrer entre os dedos. Se separou da esposa, foi demitido do trabalho e está completamente perdido no rimo da vida. É neste momento que ele conhece Isabel (Salma Hayek), que diz que vivemos numa realidade paralela.


Neste momento, Cahill começa a misturar duas coisas bem complicadas. Por um lado, uma metáfora simplória que, por vezes, parece banal demais para ser verdade. Por outro, o cineasta e roteirista tenta complicar um pouco a mensagem com algumas situações que não fazem muito sentido -- até mesmo no final, quando as coisas ficam mais claras, concretizando furos.

A sensação é de que Cahill tinha uma ideia muito clara do que queria, mas precisava complicar um pouco mais a mensagem para o filme se tornar desafiador, talvez. Mas isso, como já dissemos por aqui um punhado de outras vezes, não funciona. O cinema é traiçoeiro. Entrega o pensamento do roteirista, do diretor. Inclusive uma simplicidade exagerada e mascarada.


Ainda bem, porém, que há um ponto positivo que eleva um pouco a qualidade da produção: Owen Wilson (Marley & Eu) e Selma Hayek (Frida) estão realmente bem na tela. A dupla consegue trazer mais complexidade ao filme do que Cahill em qualquer momento da trama, com momentos inspiradores e significados intrincados nas consequências dos atos dos personagens.


Mas isso, novamente, não tira o peso do roteiro capenga. Coisas sem sentido e mal explicadas (a tal criação do personagem de Wilson na realidade paralela), subtramas que não continuam, a metáfora geral simplória... Tudo isso trabalha contra Bliss, filme da Amazon Prime Video que tinha potencial, mas que acaba morrendo na praia. E olha: poderia ser um dos filmes do ano.

#Crítica #Cinema #AmazonPrimeVideo #FicçãoCientífica

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