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  • Matheus Mans

Crítica: 'Bob Cuspe' mostra como animação brasileira só tende a crescer


Quando pensamos em filmes de animação, é praticamente impossível não lembrarmos de Pixar e Disney logo de cara. Crescemos assistindo filmes como Toy Story, A Branca de Neve, Procurando Nemo e afins. Não tem como não relacionar, como não pensar nisso. Depois, talvez, lembremos de Dreamworks e sua franquia Shrek. Ou seja: tudo vindo dos Estados Unidos. Por isso é tão interessante termos projetos nacionais como Bob Cuspe: Nós Não Gostamos de Gente.


Dirigido e roteirizado por Cesar Cabral, o longa-metragem acompanha a jornada do querido e celebrado personagem criado por Angeli e que dá título ao filme. No entanto, engana-se quem pensa que a história é "normal". Por aqui, Cabral se vale dos personagens que povoam a imaginação do cartunista para, justamente, fazer um mergulho nessa mente. Começamos Bob Cuspe como se fosse um documentário animado para, logo em seguida, ganhar ares criativos.

Angeli, afinal, está em crise — e quando não está, não é mesmo? A mente dele é um deserto de ideias, um espaço árido. Bob Cuspe, junto de outros personagens clássicos do cartunista, foram esquecidos e estão em direção ao Vale da Morte. O que acompanhamos nessa animação recheada de habilidade e cuidado são esses personagens (incluindo Bob Cuspe, é claro) tentando dar um jeito de entrar em contato com Angeli para, enfim, conseguirem se salvar.


Com ares de Anomalisa, há sacadas visuais e narrativas bem engenhosas por parte de Cabral. Ele, munido de personagens eternizados em publicações como a Chiclete com Banana, vai acrescentando camadas cada vez mais profundas não só na mente de Angeli — tratado aqui como personagem e fio condutor — como também na dos personagens, complexos e vívidos. A sensação é de que temos, em Bob Cuspe, uma espécie de amostra da cultura underground.


Ainda que perca um pouco da vitalidade em seus minutos finais, derrapando em algumas decisões criativas, Bob Cuspe: Nós Não Gostamos de Gente é um sopro de vitalidade e criatividade do cinema brasileiro de animação. Lino já nos mostrou que fica difícil concorrer ao usar mesma estética, mesmo formato. Mas produções como Tito e os Pássaros, O Menino e o Mundo, Uma História de Amor e Fúria e, agora, Bob Cuspe abre um mundo de possibilidades.


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