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  • João Pedro Yazaki

Crítica: 'Casa Gucci', de Ridley Scott, é filme decepcionante mesmo com boas atuações

Atualizado: 11 de jan.


O ano de 2021 está sendo bastante movimentado para Ridley Scott. Há menos de 3 meses, o diretor lançou O Último Duelo, longa-metragem que passou um pouco despercebido nos cinemas brasileiros, apesar das críticas majoritariamente positivas. Contudo, seu maior lançamento do ano retrata a história real por trás de uma poderosa família italiana, responsável pela criação de uma das maiores marcas de moda do mundo. Baseado no livro homônimo de Sara Gay Forden, Casa Gucci é a estreia de quinta-feira, 25, nos cinemas brasileiros.


Contando com um elenco de peso, o filme conta a história de Maurizio Gucci (Adam Driver), o principal herdeiro do império criado pelo designer Guccio Gucci e comandado pelos irmãos Rodolfo e Aldo Gucci (Jeremy Irons e Al Pacino, respectivamente). Desinteressado pelos negócios da família, Maurizio decide se casar com Patrizia Reggiani (Lady Gaga), uma mulher simples, porém dedicada a fazer de tudo para subir na vida. Após alguns anos de convivência, Maurizio e Patrizia entram na disputa pelo poder com Aldo e seu filho, Paolo (Jared Leto), causando um histórico conflito familiar pelo legado Gucci.


Aos poucos, os personagens e a trama vão ganhando forma, e o espectador vai entendendo o que a trama quer passar, que é basicamente a trajetória dessas figuras emblemáticas dos Gucci. No entanto, o roteiro de Becky Johnston e Roberto Bentivegna não explora todo o potencial desses personagens. Apesar das excelentes atuações é difícil se apegar a eles, pois faltam desenvolvimento. São personagens bastante unidimensionais e de pouco carisma.

Por sinal, o ponto mais alto do filme, definitivamente, são as performances dos atores. Como sempre, Adam Driver demonstrando toda a sua versatilidade e Lady Gaga esbanjando talento. Agora, quem rouba a cena é Jared Leto, que está irreconhecível pelo sotaque, a maquiagem e o humor. Já é possível considerar o italiano canastrão do ator um de seus melhores trabalhos.


Infelizmente, o brilho do elenco não se reflete no enredo. Embora a premissa seja naturalmente muito interessante, a história carece de emoção. Assim como em seu último filme, Ridley Scott não consegue dar vida a uma trama que depende muito de diálogos e da fluidez da narrativa. Durante o filme inteiro sempre parece que falta algo.


Não há como negar, existem sim bons momentos, especialmente nas cenas onde os personagens colocam o ego à mostra e disputam entre si pela hegemonia da Gucci. Porém, mesmo nessas ocasiões faltou mostrar mais, apesar das 2 horas e 40 minutos de duração. O filme trabalha com informações em excesso sem dar tempo de desenvolvê-las para que se tornem devidamente relevantes para a história.


Ao todo, vemos um filme que parece durar 4 horas, lembrando um O Irlandês, porém de ritmo desregulado, história maçante e pouquíssima identidade. Em outras palavras, Casa Gucci não consegue se sustentar mesmo com o ótimo elenco, que seguram as pontas do começo ao fim. Com tantas temáticas para tratar, o longa se apega apenas em mostrar uma sucessão de fatos da história real, sem nem um temperinho a mais. Se for para ser assim, então é melhor só ler o livro.


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