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  • Matheus Mans

Crítica: 'Correndo Atrás', do Telecine, é comédia nacional simpática e indolor


Sabe aqueles filmes que assistimos numa tarde de sábado, sem pretensões? Damos alguns risinhos, gostamos dos personagens e, quando sobem os créditos, já partimos pra outra. É exatamente esse tipo de produção que encontramos na simpática comédia nacional Correndo Atrás. O filme chega com exclusividade ao streaming Telecine Play já a partir deste sábado, 19.


Dirigido e corroteirizado por Jeferson De, que acabou de surpreender com o potente drama M8, o longa-metragem se concentra na história de Ventania (Ailton Graça), um homem da periferia que sonha grande -- e, enquanto suas realizações não acontecem, vai vivendo de bicos. No meio do caminho, porém, surpresa: ele descobre Glanderson (Juan Paiva), um jogador habilidoso.


De, como já mostrou em outros filmes, tem qualidade na direção. O desenvolvimento de Ventania é ótimo e o elenco tem um bom timing cômico -- algumas cenas com Tonico Pereira (A Grande Família) rendem verdadeiras gargalhadas. Além disso, Graça emplaca bem no papel desse homem tentando a sorte grande, em busca de alguma coisa para orientar seu trabalho e vida.

A sacada de falar sobre o futebol como um trampolim da vida pobre, da periferia, também tem seus méritos. Os roteiristas Jeferson De e Hélio de la Peña acertam na maneira de contar essa história. Principalmente ao colocar um marmanjo por trás de Glanderson, na figura de Ventania, ao invés de investir na ideia de um rapaz sonhando com a vida dos campos. Trama acertada.


No entanto, ao contrário do que mostrou em M8 ou até em Bróder, não há um aprofundamento de nenhuma dessas questões. Acompanhamos apenas essa comédia se desenrolando na tela, sem grandes pretensões. Fica a sensação de que Jeferson De não encontrou meios de refletir sobre esse assunto usando a comédia como o gênero que conduz a narrativa pelo seu caminho.


Dessa forma, Correndo Atrás é um filme gostoso para assistir num dia qualquer. Tem suas piadas bem encaixadas, personagens marcantes e reais, além de uma história tipicamente brasileira -- da pessoa que tenta subir na vida a partir da experiência nas linhas do campo de futebol. Tinha mais potencial, ainda mais com o elenco que tem. Mas serve para o que propõe.

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