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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'Creed III’ dá volta no passado em filme com emoção


Creed: Nascido para Lutar, filme lançado em 2015, é uma grata surpresa: não apenas dá vigor para a franquia imortalizada por Sylvester Stallone e seu Rocky Balboa, como também faz com que os filmes de boxe mostrem uma sobrevida. Emociona, empolga, arrepia. Por isso, a expectativa era grande com Creed II, que dividiu crítica e público, e agora com Creed III, longa-metragem que chega aos cinemas já nesta quinta-feira, 2, e que de novo deve dividir as opiniões.


Afinal, com direção do próprio Michael B. Jordan, o longa-metragem é o mais independente no sentido de trabalhar mais no personagem de Adonis Creed e menos na herança de Balboa. Parece que, pela primeira vez, o personagem pode contar sua própria história sem qualquer amarra com o passado do personagem de Stallone — que, vale dizer pra evitar decepções, nem dá as caras. É um filme sobre Adonis Creed e ponto final. É o ápice, enfim, de sua jornada.


Na história, Adonis se torna campeão e decide se aposentar. Agora é hora de focar na família. No entanto, seu passado é chacoalhado quando Damian Anderson (Jonathan Majors) retorna, depois de ficar 18 anos preso. Mais do que se aproximar do antigo amigo, Anderson quer voltar de onde parou e ser um lutador de boxe profissional. É aí que entra em conflito com Adonis, que vê o antigo amigo ameaçando seu novo pupilo e se tornando rival no mundo competitivo do boxe.


Curioso notar que, ao contrário do que geralmente acontece em filmes de boxe (e em toda a franquia Rocky), Creed III não se concentra no presente de Adonis e Damian, mas no passado de seus personagens. O peso de suas ações, que aconteceram quando eram adolescentes, é o que rege quase tudo que acontece no presente de ‘Creed III’: desde o conflito entre eles, passando por rusgas familiares e até chegar em um conflito com a esposa Bianca (Tessa Thompson).


Este é o principal calcanhar de Aquiles de Creed III: ele se volta demais ao passado para tentar encontrar algum tipo de substância para colocar no presente. É o tempo todo virando o pescoço para olhar o que vem atrás, sem pensar de fato no que está sendo construído no agora. Obviamente, esse é um elemento que surgiu várias vezes na franquia (desde a relação com Rocky, passando pela volta de Drago e por aí vai), mas que agora se torna, infelizmente, central.

Com isso, o roteiro de Keenan Coogler (Space Jam 2: Um Novo Legado) e Zach Baylin (King Richard) fica manco. Ao ter uma obsessão com o que aconteceu há 15 anos, a dupla de roteiristas não percebe que tem ouro em mãos com um personagem absolutamente complexo: Damian. Com atuação fortíssima de Majors (Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania), ele tem duas faces: de um lado é duro e impiedoso; do outro, tenta recuperar o tempo perdido.


Difícil não ficar dividido quando ele aparece na tela. Sabemos que há algo de questionável ali, mas não importa. Nós, do lado do público, torcemos por ele e ficamos arrasados conforme coisas são reveladas. Um personagem difícil, deveras ardiloso, que poderia ter sido amplamente trabalhado pelos roteiristas. Mas que, por decisões um tanto quanto óbvias, acaba sendo resumindo ao que acontece dentro do ringue, com uma luta final estranha e memorável.


Apesar desse probleminha central na história, que praticamente não sabe como se decidir entre passado, presente e futuro, Creed III tem algo que precisa ser comentado: a boa direção de Michael B. Jordan, astro da série e que assume a direção do longa-metragem (como aconteceu com Stallone lá atrás). Ele parece um discípulo de Ryan Coogler, o diretor do primeiro filme: faz movimentos ousados de câmera e brinca com o espaço. Mostra uma fresca criatividade.


A primeira cena de luta do personagem de Majors, contra a nova aposta de Adonis, é suja, intensa, violenta. Anderson não apenas sabe como jogar baixo, como a câmera mostra detalhes desse tipo de jogo sujo, com cortes, cotoveladas e afins. Algo raro de se ver em filmes do tipo, que prezam por uma higienização estética rigorosa, e que mostra uma boa personalidade de Jordan — ele se colocou no filme e mostrou, seguindo um caminho distinto, o que queria.


Há alguns erros típicos de iniciante, como a cena de boxe em um cenário de CGI tosco, mas isso não atrapalha. No fim, Creed III abre as portas para um futuro (nem tão distante) da franquia, que não deve morrer com um possível fim da jornada de Adonis. A família Creed expandiu e Jordan mostra que há espaço para mais. E nós, do lado do público, caímos nessa como patinhos, torcendo e emocionando com o resultado de uma luta em um ringue de mentira.

 

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