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  • Matheus Mans

Crítica: 'Cruella' é filme estiloso, mas com defeitos evidentes em sua realização


A Disney possui três pilares centrais na sua produção para os cinemas: as animações da Walt Disney, as produções da Pixar e, enfim, live-actions que adaptam algumas dessas histórias. Não há dúvidas de que esse último tipo de produção, com títulos como Malévola, A Bela e a Fera e Aladdin, é o mais problemático -- geralmente são filmes que menos agradam público e crítica.


Por isso é interessante a proposta de Cruella, longa-metragem que chegou aos cinemas e ao Disney+ na última quinta-feira, 27. Adaptação em live-action da história 101 Dálmatas, a produção busca contar a história da vilã desse conto infantil. Outrora interpretada por Glenn Close, agora Cruella De Vil ganha contornos mais modernos com Emma Stone (La La Land).


Com clara inspiração no punk rock, que inclusive perde qualquer sutileza por conta da trilha sonora que abraça o óbvio, o longa-metragem mostra a origem dessa vilã. Desde a morte trágica da mãe, passando pelo amadurecimento nas ruas de Londres com os amigos Jasper (Joel Fry) e Horace (Paul Walter Hauser) e até chegar ao trabalho com a Baronesa (Emma Thompson).


Essa estética adotada por Craig Gillespie (Eu, Tonya) acaba dando um tom mais adulto para a história, até com cena de bebedeira, por exemplo. Com isso, o filme escapa da mesmice de adaptações como A Bela e a Fera e Cinderela, mas também não segue pelo caminho de contos de fadas de Malévola. Segue um caminho lembrando da trama original, mas livre das ideias.

Parece uma mistura interessante de O Diabo Veste Prada com Aves de Rapina. Há o conflito, a moda e o embate criativo do primeiro com a estética original e provocativo desse segundo.


O filme, apesar das boas atuações, dos momentos divertidos e da estética que salta aos olhos, também tem seus problemas, que diminuem o impacto de Cruella. Primeiramente, o roteiro de Dana Fox (Megarrromântico) e Tony McNamara (A Favorita). Tem uma falta de tom e de ritmo impactante, principalmente quando há a transformação de Cruella bem na frente das telas.


Stone, talvez perdida dentre esse roteiro que não se decide e uma direção confusa de Gillespie, acaba pesando a mão demasiadamente na criação dessa personagem -- quando ela passa a ter a persona de Cruella, se torna quase um Coringa na tela. Falta sutileza nessa transição. Ainda bem que tem Walter Hauser ali, e seu cachorro chihuahua, trazendo toda a graça necessária.


Por fim, fica a dúvida: pra que 134 minutos de duração? Deveria ter vinte minutos a menos, evitando uma queda de ritmo acentuada no começo do terceiro ato -- quando muitas coisas se repetem sem sentido. Mas, tirando isso, temos um bom live-action da Disney. Original, divertido quando preciso, boas atuações, estilizado. Poderia ser melhor, claro. Mas, desse jeito, já basta.

#Crítica #Cinema #Filme #Drama #Aventura

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