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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'Divertida Mente 2' acerta o tom da sequência, mesmo sem se arriscar


Fui assistir ao novo Divertida Mente 2, que estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 20, com os dois pés atrás. Depois do desastre que foi Lightyear, além do fraco Elementos, comecei a suspeitar que a Pixar seguia o mesmo caminho de sua empresa mãe, a Walt Disney Company: um cinema sem vida, sem graça, sem paixão. Puramente mercadológico. Mas não é nada disso.


Dirigido por Kelsey Mann, antes diretora apenas do curta Central da Festa, o longa-metragem tem uma premissa que não é mais segredo pra ninguém: Riley cresceu e agora é uma adolescente com novos dilemas, novas ideias, novos pensamentos. É nesse contexto que Alegria, Raiva, Tristeza, Medo e Nojinho recebem novas emoções: Ansiedade, Inveja, Vergonha e Tédio. A protagonista da animação, afinal, está começando a experimentar novos sentimentos.


E é nesse contexto, enquanto Riley vai para uma competição de hóquei com as amigas, que o espectador é impactado com essa nova dinâmica. A diretora insere habilmente essas novas emoções na história, criando conflitos que não são apenas para fins de diversão: é interessante ver a Alegria de fora enquanto a Ansiedade, com uma personalidade que lhe faz jus, assumindo.


Divertida Mente 2 passa longe de ser um projeto ousado e fora da caixinha da Disney-Pixar -- ainda acredito que Wall-E é o filme mais fora dos padrões para o estúdio, seguido de Ratatouille e Toy Story 3. Afinal, a estrutura da história é parecida com o primeiro filme, com as emoções precisando explorar o universo da mente de Riley enquanto as coisas saem do controle.



O fato é que a animação cresce conforme o tempo passa, principalmente pela forma que roteiro e visual tratam da Ansiedade. O tempo de Riley em tela é curto -- basicamente, acompanhamos apenas um final de semana na vida adolescente da personagem. Mas o roteiro estica a percepção de tempo em sua mente, brincando com os sentimentos e, inclusive, com a forma que a nova emoção alaranjada influencia na forma que Riley lida com pequenos dilemas.


No meio do caminho, ainda por cima, você encontra espaço para dar boas risadas: o vale do sarcasmo, por exemplo, é uma ideia genial, assim como o novo segmento das convicções.


O fato é que Divertida Mente 2, assim como aconteceu com seu predecessor, sabe balançar as emoções de diferentes públicos. Crianças vão se divertir (com certeza, sem entender muito) com o caos da Ansiedade; adolescentes com certeza irão destravar as amarras com piadas bem típicas da idade, principalmente com o Tédio; e adultos poderão refletir sobre como as coisas mudaram da infância para a adolescência com a chegada de emoções tão complexas.


Novamente, esta franquia de animação da Disney mostra que quer trazer algo a mais para a conversa para além de uma história bonitinha. Explorar sentimentos exige comprometimento e a Pixar, de maneira muito feliz, entende por quais caminhos seguir -- inclusive, a cena de crise de ansiedade é de uma beleza ímpar. É um filme que avança na conversa e que sabe, acima de tudo, como fazer com que as pessoas encarem seus sentimentos, aflições, medos e emoções.


Depois de uma temporada muito ruim da Walt Disney, com um ano de 2023 tenebroso para a companhia, Divertida Mente 2 pode ser a luz no fim do túnel. Obviamente, este também pode ser uma exceção à regra. Esperamos que não. Afinal, precisamos de mais filmes que consigam transitar entre diferentes ideias e sentimentos, indo além da pura mercantilização de ideias.

 

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