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  • Matheus Mans

Crítica: 'E Amanhã o Mundo Todo', da Netflix, erra com frieza e distanciamento


Já falamos aqui, mais de uma vez, sobre livros que tratam do crescimento do fascismo ao redor do mundo -- inclusive, fizemos uma lista por aqui. No entanto, são poucos os filmes contemporâneos que tratam desse tema com força. Por isso é interessante a proposta de E Amanhã... O Mundo Todo, longa-metragem exclusivo da Netflix que chegou por aqui quinta, 6.


Dirigido pela alemã Julia von Heinz e selecionado para o Festival de Veneza, o longa-metragem conta a história de Luisa (Mala Emde), uma jovem de 20 anos, de boa família, e que está preocupada com o futuro da Alemanha, numa virada fascista. Com isso, ela decide entrar em um grupo que combate movimentos fascistas com atos nas ruas -- os chamados antifas.


A partir daí, acompanhamos esse mergulho de Luisa em uma realidade completamente diferente da dela. No âmago desse movimento, além disso, há contradições que dão camadas para o longa-metragem de von Heinz. Parte dos participantes, afinal, acha que precisa combater fascismo com violência. Com pancadaria. Outros acham que apenas o barulho já basta.

Luisa, assim, vive um dilema: embarcar nos atos mais incisivos e violentos, se arriscando e arriscando os seus, ou apenas continuar tacando ovos com tinta, gritando em megafones e fazendo barulho quando os fascistas saem às ruas. É um dilema que extrapola a jornada da própria personagem, também trazendo questionamentos para qualquer pessoa no mundo.


O grande problema no filme, e que derruba a experiência, está na frieza que a diretora conduz a história. Luisa é uma personagem difícil de assimilar, assim como o desenvolvimento da personalidade da jovem mulher trabalha com tons frios. Parece que falta identificação do espectador com a personagem, mesmo apoiando os ideais e movimentos daquela garota.


E Amanhã... O Mundo Todo, assim, é um filme bom, com um tema atual e de discussão importante, mas que se perde na execução ao trazer personagens pouco empáticos e uma história que não parece ter todo o potencial. No entanto, quem sabe o longa-metragem não seja apenas o primeiro de muitos outros filmes sobre o tema. Precisamos disso, urgentemente.

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