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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'Elis & Tom' peca pela falta de vida e ousadia


Quando li sobre Elis & Tom pela primeira vez, documentário brasileiro que estreia nesta quinta-feira, 21 de setembro, entendi que o filme seria uma produção baseada em arquivos e que mostraria a relação de amor e ódio entre Elis Regina e Tom Jobim nos bastidores do disco que dá nome ao filme. Imaginei que seria algo como Andança, sobre Beth Carvalho. E esse foi meu erro: imaginar e criar expectativas em cima de um filme que não poderia ser mais genérico.


Dirigido por Roberto de Oliveira e Jom Tob Azulay, o longa-metragem se propõe a colocar um olhar inédito sobre os bastidores do disco de 1974 -- um dos mais emblemáticos não só da MPB, mas do mundo da música. No entanto, diferente de Andança, o longa-metragem fica longe de ser uma recuperação potente de imagens de bastidores. Oliveira e Azulay, na verdade, colocam isso apenas como pano de fundo de um documentário convencional com entrevistas e arquivos.


São várias as entrevistas com nomes envolvidos na história de Tom, Elis e Elis & Tom, relembrando histórias e, principalmente, sobre a importância internacional desses dois nomes da música. A primeira meia hora, por exemplo, é inexplicável: o filme para tudo que está fazendo para contar quem é Tom e Elis, chegando até a falar sobre a morte da cantora (colocando uma imagem de muito mau gosto de Elis morta, dentro do caixão). É pouco orgânico e cansativo.

Depois, quando isso é estabelecido, Elis & Tom começa a falar sobre o disco. Mas as imagens de arquivo se tornam apenas complemento das entrevistas genéricas e sem muita vida -- muitas delas autocongratulatórias, celebrando como todos envolvidos ali eram absolutamente geniais. Há pouca profundidade no cenário contado, há pouco conflito. É um filme plano, com bem menos imagens de arquivo do que promete, e que se segura mais em memórias enevoadas pelo tempo.


E nem tudo que queremos ver está lá -- e isso não a partir de uma expectativa que nasce do material de divulgação do filme, mas conforme o documentário avança mesmo. Por exemplo: ao longo de Elis & Tom, a música Águas de Março toca duas vezes. É claro que queremos ver os bastidores disso. É quase como uma promessa. Mas não há quase nada da música, que acaba sendo um efeito frustrante. Como foi a criação desse clássico? Não sabemos. Não está lá.


É claro que há coisas boas aqui. Muitas imagens de arquivo são preciosidades e uma ou outra entrevista é ouro -- a fala final de Menescal, no meio de seu jardim de bromélias, é lindíssima. Mas é um documentário que está bem longe de ser tão bom quanto poderia, deveria e merecia.

 

1 comentário

1 Comment


Joabe Souza
Joabe Souza
Oct 20, 2023

Concordo integralmente. E de tudo, a presença de Nelson Motta é o mais dispensável.

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