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  • João Pedro Yazaki

Crítica: 'Entre Frestas', da Netflix, é interessante drama policial polonês


Em 2020, a Netflix acertou em cheio ao trazer Rede de Ódio, filme polonês sobre as fake news e suas consequências. Agora, o filme Entre Frestas é mais uma produção polonesa bem intrigante. Dirigido por Piotr Domalewski, o longa se situa na Polônia comunista dos anos 80, quando a comunidade gay do país era perseguida pela Operação Hyacinth, que tinha como objetivo catalogar homens gays da época.


O protagonista, Robert (Tomasz Zietek), é um jovem policial em busca de respostas de um assassinato na comunidade LGBTQIA+ na cidade de Varsóvia. Insatisfeito com os resultados da investigação, ele resolve ir atrás da verdade sozinho, porém nessa jornada se depara com algumas descobertas, tanto na vida profissional quanto na pessoal.


Logo de início, vemos o filme se preocupando em nos mostrar a vida do personagem principal. Vemos Robert fazendo seu trabalho como policial, depois sendo indicado para um caso importante, com a família e com a esposa. Entendemos um pouco seus objetivos para o futuro e como ele lida com cada relacionamento. Não é nenhum personagem memorável, mas pelo menos possui um desenvolvimento básico, algo necessário para que o espectador tenha um mínimo de simpatia pela história do protagonista.


Enquanto isso, vemos a comunidade gay de Varsóvia sofrendo nas mãos da polícia, que faz de tudo para encontrar todos os homens homossexuais e catalogá-los como se fossem uma ameaça ao governo e ao povo polonês.

A polícia enfim chega a uma conclusão sobre o assassino e decide encerrar o caso, mas Robert não ficou feliz com tal decisão e decide partir sozinho na busca por respostas. No entanto, ele conhece Arek (Hubert Mitkowski), um jovem estudante e um dos principais ativistas da comunidade LGBTQIA+. Robert decide usá-lo como informante para ir atrás de pistas sobre os mistérios envolvendo as mortes sucessivas.


Contudo, ele só não esperava que Arek iria despertar alguns sentimentos dentro de si, algo que iria obrigar Robert a refletir sobre seus valores e, claro, sobre a própria sexualidade. Apesar da narrativa seguir uma estrutura semelhante com o que estamos acostumados, ela traz um leve frescor para os suspenses policiais.


Mesmo sendo nada de mais, a trama consegue ser envolvente devido à maneira como nos aproxima dos personagens, além da forma objetiva que aborda importantes problemas sociais praticamente esquecidos da história da Polônia. Além disso, toda a atmosfera também é bem interessante. A cinematografia e a trilha-sonora são dois importantes fatores que agregam em qualquer suspense.


Portanto, Entre Frestas não é daqueles filmes inovadores, mas também não é aquele que compromete. Tem sim suas falhas. A investigação de Robert, por exemplo, não impressiona ao ponto de causar impacto e o ritmo um tanto lento pode comprometer em algumas partes. Fora que os outros personagens também não são lá essas coisas. Entretanto, os dilemas pessoais do protagonista deixam o filme muito mais atrativo. Embora não seja uma obra surpreendente, Entre Frestas tem sua importância em meio a um mundo ainda inundado pela ignorância.


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