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  • Matheus Mans

Crítica: 'Rede de Ódio', da Netflix, mostra bastidores das fake news


Infelizmente, nos últimos anos, as fake news se tornaram assunto constante em todo o mundo. Afinal, seja em eleições, em acontecimentos cotidianos ou até em bobagens que passariam batidas, há uma máquina de notícias falsas agindo para trabalhar em prol do interesse de poderosos e, geralmente, em detrimento da população. Podemos dizer que é o mal da década.


E é sobre esse tema que se debruça o excelente filme Rede de Ódio, filme de Jan Komasa (do premiado Corpus Christi) e exclusivo da Netflix. Na trama, acompanhamos a jornada de um rapaz (Maciej Musialowski, excelente) que é fascinado por uma garota que faz parte de sua vida. No entanto, sua falta de traquejo social acaba atrapalhando o seu relacionamento com ela.


A partir daí, o trabalho do rapaz -- que é fazer "campanhas de marketing" para promover fake news e discursos de ódio -- acaba ganhando um viés direcionado. Suas frustrações se juntam com as suas obrigações em uma trama assustadora. É um drama bem construído, mas por vezes acaba resvalando numa história de horror ambiente nos dias atuais, em todo o mundo.

E esse é o principal ponto a ser destacado de Rede de Ódio. Com uma direção fria, mas sem nunca se ausentar de colocar sua opinião, Komasa mostra os malefícios dessa rede de ódio que se alastrou pelo mundo virtual e que ameaça reputações, sociedades, governos e até saúde mental. É uma bomba, sempre explodindo no nosso colo, que parece não ter uma solução.


A atuação precisa de Musialowski, que não fez nenhum outro grande trabalho de destaque, ajuda a dar essa profundidade necessária à trama. Você entende os dilemas do rapaz, mergulha na sua psiquê, e ainda tem que lidar com as atitudes desonestas e os crimes que ele comete. É, assim, uma jornada duplo à mente perturbada do rapaz e ao mundo cruel das fake news.


Uma pena que nessa caminhada, infelizmente, alguns excessos sejam cometidos. Há uma gordura aqui e outra ali. Nada que comprometa a visão geral sobre a obra, claro. Mas, ainda assim, acaba tirando o peso de algumas das discussões que deveriam vir com um pouco mais de força. Se não fosse isso, Rede de Ódio seria daqueles filmes redondos, direto ao ponto.


E o final... É um dos finais mais poderosos, criativos e ousados que a Netflix já colocou em sua tela com o selo de original. Faz com que cada um pense e reflita sobre o rumo que a sociedade está tomando. Sempre, claro, mantendo o distanciamento e, até mesmo, a crueldade na direção de Komasa. Um filme que deve ser visto, sim. Mas, acima de tudo, deve ser refletido. Pensado.

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