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  • Matheus Mans

Crítica: 'Halloween Kills' mostra que franquia não sabe qual caminho seguir


A franquia Halloween, um dos marcos iniciais do gênero slasher nos cinemas americanos, nunca conseguiu realmente engrenar após o primeiro filme de 1978 -- ainda que haja algumas coisas realmente interessantes contadas depois. Por isso, foi interessante o reboot que o universo de Michael Myers passou em 2018 pelas mãos de David Gordon Green (O Que Te Faz Mais Forte). Só levou em conta o primeiro longa, esqueceu várias derrapadas e funcionou.


Só que Halloween Kills: O Terror Continua, que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 14, traz todo um sentimento amargo na boca novamente após essa recuperação de três anos atrás. Apesar de Gordon Green retornar na direção, assim como a presença da figura do assassino e a atuação sempre marcante de Jamie Lee Curtis (Entre Facas e Segredos), o longa-metragem não engrena e não consegue ter o mesmo impacto que o filme anterior, tão certeiro, bem causou.


E isso tem um motivo bem claro por trás. Halloween, o de 2018, funciona por ser nostálgico. A trama tem lá seus problemas, mas a emoção de ver o embate aguardado de Myers contra Laurie Strode (Curtis), já idosa e com neta, arrepia até aquele que conhece apenas a franquia de sobressalto. Você sabe que aquilo na tela é importante, que é marcante, que é um refresco para uma série de filmes que simplesmente não se recuperou após a trama dos irmãos e companhia.

Agora, neste segundo longa-metragem do reboot, não há mais o elemento da nostalgia tão presente. O roteiro assinado por Scott Teems, Danny McBride e pelo próprio Gordon Green precisa se virar nos trinta para encontrar novos motes que sustentem não só os fãs do tradicional Michael Myers, como também aqueles que chegaram no embalo de 2018. E aqui, a única saída parece ter sido dar alguma textura social para o longa-metragem. Algo a mais.


Só que este acaba sendo o diferencial e o grande problema de Halloween Kills, tudo ao mesmo tempo. Afinal, é uma tentativa de aprofundar uma história que é, basicamente, um cara com uma máscara maltrapilha do Capitão Kirk, segurando sempre uma faca ensanguentada, matando pessoas. Dar um contexto social para isso, que não tem complexidade alguma, requer malabarismos narrativos que vão cansando, enchendo a trama, tornando-a, enfim, excessiva.


Há coisas boas aqui e ali, como a sempre boa atuação de Curtis (ainda que, aqui, faça mais uma ponta do que qualquer coisa), cenas de violência bem orquestradas e sustos que, bem encaixados, fazem o público pular da cadeira. É capaz que aquele espectador mais despreocupado, se importando pouco ou quase nada com os rumos da franquia e querendo só ver um terror para passar o tempo, encontre algum conforto nas sequências de Halloween Kills.


A sensação ao final, ainda que não se compare nem de perto com um Halloween 3: A Noite das Bruxas, é de que não há muito como a história de Michael Myers crescer além disso, encontrar o seu significado além da violência extrema. A torcida é para que Halloween Ends, no ano que vem, encerre bem a franquia e bola pra frente. Myers, Laurie e companhia já foram todos muito explorados, até em excesso. Chegou a hora de deixar isso pra trás e encontrar novos slashers.


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