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  • Matheus Mans

Crítica: 'Ilha de Segredos' é thriller fraco e esquecível da Netflix


É incrível a capacidade da Netflix em comprar e produzir filmes ruins. São vários e vários os exemplos de longas que simplesmente não se sustentam, apesar de premissas aparentemente populares. Ilha de Segredos, um thriller alemão que provavelmente pretendia embarcar numa base de fãs da série Dark, é mais um exemplo desses filmes que não tem como elogiar.


Dirigido por Miguel Alexandre (Gran Paraíso), o longa-metragem conta a história de uma família em uma ilha, com foco em Jonas (Philip Froissant), um jovem com a vida desgraçada. A avó morreu atacada por um cachorro (?), enquanto os pais morreram numa batida violenta de carro bem no retorno do velório da matriarca. Parece uma esquete de humor impossível, mas é isso.


O foco da história surge quando começamos a acompanhar o relacionamento de Jonas com a sua professora de alemão (Alice Dwyer). Sedutora, logo ela começa a dar investidas românticas no protagonista de Ilha de Segredos. E começam a nascer as dúvidas: quem é essa mulher? O que ela quer com Jonas? Será que é tudo de caso pensado? Se for, qual o motivo disso?


Assim, Ilha de Segredos tem um começo quase tragicômico (com as mortes sem sentido) e, logo depois, podemos notar algumas dúvidas interessantes que surgem com a trama -- essa curiosidade em saber o que está acontecendo, principalmente. Há potencial, que é desenvolvido em um segundo ato tenso, com bastante tensão sexual entre Jonas e a sua professora.


Só que tudo vai por água abaixo no último ato. É quando o roteiro de Alexandre e Lisa Carline Hofer precisa dar as repostas que o público deseja. E é aí que surge o problema: simplesmente não há história para tudo que foi proposto ao longo de mais de 100 minutos. Encontramos, então, uma trama vazia e oca, com um final decepcionante, que não chega ao pé do suspense.


Nem mesmo com o claro esforço de Dwyer (Os Invisíveis) funciona. Ainda que não chegue ao ridículo visto nos cinco primeiros minutos, o filme esbarra nas mesmas sensações. São conclusões apressadas, sem sentido, vazias. O suspense morre, a expectativa vai junto. E assim Ilha de Segredos se torna mais um filme qualquer da Netflix, com mais erros do que acertos.


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