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  • Matheus Mans

Crítica: 'Kubrick por Kubrick' é documentário engessado


Que documentário mais chato é esse Kubrick por Kubrick, longa-metragem de Gregory Monro que busca compreender melhor a história, a vida e a carreira de Stanley Kubrick, considerado um dos maiores diretores da História. No currículo, eram títulos como 2001: Uma Odisseia no Espaço, Laranja Mecânica, Spartacus, Nascido para Matar, O Iluminado, dentre outros.


No entanto, apesar da potência e da importância da história do cineasta norte-americano, o documentário não acompanha. E são vários os motivos. Primeiramente, Monro não tem material o suficiente para construir essa narrativa que se propõe -- o tal Kubrick por Kubrick. O único relato mais aprofundado do diretor, que odiava entrevistas, é uma antiga entrevista por áudio.

Ou seja: ao longo de quase 80 minutos, o espectador apenas ouve Kubrick. E é um falatório sem fim, recheado apenas com algumas imagens de arquivo, cenas de filmes e um cenário inspirado no quarto da cena final de 2001. Isso mata a dinamicidade que um documentário biográfico exige e que nunca aparece. É um filme engessado, chato, e que demora a sair do lugar-comum.


Outro ponto, e que dialoga com essa questão do lugar-comum, é como o tratamento é chapa-branca, quase sem questionamentos. Até mesmo a obsessão do diretor em regravar cenas sem fim -- um absurdo em alguns momentos, principalmente no tratamento dispensado à Shelley Duvall em O Iluminado -- é tratada de maneira diagonal. Faltou questionar mais, se aprofundar.


No final das contas, Kubrick por Kubrick é um filme que traz algumas informações, uma ou outra curiosidade interessante. E é bacana ouvir o diretor falar, algo raro na sua biografia. No entanto, esses filmes banais e esquecíveis sobre diretores, atores e atrizes já cansaram. Provoquem! Instiguem! Amplifiquem o debate! Dessa maneira, só sentimos cansaço. E fim.

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