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  • Matheus Mans

Crítica: Leve e agradável, 'Winona' surpreende com "dia na praia"


"Agridoce" é o melhor adjetivo, de longe, para descrever a experiência de assistir Winona, até agora o filme mais surpreendente da Mostra — e não o melhor, já que a coroa continua com A Machine to Live In. Aqui, o espectador é convidado a entrar na vida de quatro garotas em um dia qualquer na praia. Elas se divertem, brincam, cantam, se emocionam e pensam na vida.


Logo de cara, este filme grego de difícil classificação também deixa duas perguntas em aberto ao espectador. Primeiramente, quem é a tal Winona. Afinal, nenhuma das quatro tem esse nome e não citam tão logo o nome da personagem-título. Em seguida, surge outra questão: o que há de errado aqui? Apesar do clima leve, há momentos de estranha e inesperada melancolia.


O diretor Alexander Voulgaris (de Nima e Higita) trata da história com uma delicadeza inesperada. Afinal, ele é homem e esta é uma trama tipicamente feminina. Sobre mulheres. A sensação, porém, é de que não há ninguém do sexo masculino envolvido no filme — a não ser por uma celebração, muito descabida e desnecessária, da obra do cineasta Woody Allen.

Há muita sensibilidade na forma que é a história é conduzida, principalmente quando nos deparamos com um final inesperadamente emocional. Tudo ali faz sentido, tudo ali é muito bem trabalhado. O filme também ganha um significado especial depois da última cena, que deve fazer com que muitas pessoas derramem algumas lágrimas ou fiquem realmente emotivos.


O quarteto de atrizes, que seguram quase que o filme todo sozinhas, também está excelente, com destaque para Iro Bezou e Sofia Kokkali — esta última, aliás, com a cena mais difícil do filme. Elas se complementam, dão força entre elas, e fazem com que o filme fique mais leve e natural nas radicais mudanças de humor promovidas pelo cineasta em toda a narrativa.


O estilo quase documental do cineasta, que transita com sua câmera como se estivesse em busca de todos os momentos que acontecem ao mesmo tempo, também ajuda a dar esse tom mais naturalista, ainda que urgente. A fotografia machucada, como se fosse de outra época, também cria uma sensação de memórias e lembranças que só vai se intensificando.


É um filme inesperado, doce, gentil. É um filme bonito. Winona tem seus defeitos e algumas limitações, mas isso não tira o brilho que o diferencia frente à tantas outras produções medianas e genéricas que estão sendo produzidas por aí. Um dos grandes destaques da 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em cartaz de graça no cinema digital do SESC.

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