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  • Matheus Mans

Crítica: 'Luana Muniz' é filme importante que registra memória LGBTQIA+


"Tá achando que travesti é bagunça?", questionou certa vez Luana Muniz, conhecida travesti da região da Lapa, no Rio de Janeiro, durante uma reportagem. Nesse momento, ela ganhou um bordão de alcance nacional -- falado até hoje, anos depois -- e também sai daquele espaço de nicho. Ultrapassou as fronteiras dos arcos da Lapa e, enfim, se mostrou para todo o Brasil.


Agora, a história de Luana ganha as telonas com o emocionante documentário Luana Muniz: Filha da Lua, longa-metragem dirigido pela dupla Rian Córdova e Leonardo Menezes (responsável pelo documentário Lorna Washington). É um documentário biográfico tradicional, de começo, meio e fim, que se vale de entrevistas e arquivos para contar essa história.


Ao longo de apenas 78 minutos, essas histórias sobre Luana vão se empilhando. Sabemos mais sobre sua origem, sobre a compreensão de si própria como mulher, como entrou na noite carioca, o que enfrentou. É uma jornada dura e complicado que, até certo ponto, acaba sendo um espelho do que milhares de outras mulheres transexuais enfrentam no Brasil todo dia.

Em termos de produção, Luana Muniz acaba pecando pela simplicidade técnica. Não tem nada visualmente elaborado, com exceção do belíssimo pôster, e a narrativa é óbvia. Além disso, há graves problemas de execução: microfone que vaza na captação de vídeo, iluminações exageradamente diferentes entre os entrevistados, falta de padrão. Nisso, nada se destaca.


No entanto, Luana Muniz: Filha da Lua não é apenas um documentário regular. Afinal, há dois destaques: o fato do filme resgatar e registrar a memória dessa mulher tão importante e de realizações tão marcantes; e pela consolidação, em arquivos, áudios e vídeos, do trabalho social que Luana fez no Rio de Janeiro. Quebra preconceitos e, acima de tudo, rompe barreiras.


Seria muito bom se o documentário saísse da bolha, do nicho. Não só colocaria Luana Muniz para sempre na memória coletiva, principalmente depois de sua inesperada morte aos 59 anos, como também mostraria que travesti não é só bagunça. Travesti também tem sua importância social e, acima de tudo, são pessoas que também podem fazer a diferença no dia a dia.


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