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  • Matheus Mans

Crítica: 'Mar de Dentro' é bom filme sobre solidão e maternidade


A atriz Monica Iozzi surgiu como repórter do CQC, finado humorístico da Band. Surgiu em uma espécie de competição, quando vários outros atores e atrizes buscavam uma vaga no programa. Com o passar do tempo, o CQC terminou e Iozzi enveredou por outros caminhos: foi apresentadora do Video Show, atuou em novelas e, agora, protagoniza o seu primeiro filme.


Mar de Dentro, em exibição na 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, é um bom filme e uma estreia consistente de Iozzi como protagonista. Dirigido e coroteirizado por Dainara Toffoli, também estreante em filmes, o longa-metragem conta a história de uma mulher (Iozzi) que fica grávida sem querer. A partir daí, começa a sentir todas as questões da gravidez.


Afinal, precisa lidar com todos ao seu redor dando opiniões de todos os tipos, familiares tentando influenciar na gravidez, no parto e na criação da criança e, principalmente, com todas as mudanças no corpo que começam a surgir paulatinamente. É um momento de transformação, que a personagem de Monica Iozzi consegue expressar de maneira contundente.

O grande ponto à favor de Mar de Dentro, assim, está nessa atmosfera muito bem criada por Toffoli nesse momento de mudanças. A solidão que advém das atitudes e comportamentos dessa protagonista tão real e natural, mesmo com tanta gente ao redor palpitando, é uma das grandes discussões do longa-metragem, geralmente deixada de lado em filmes similares.


Por outro lado, percebe-se claramente que este é um filme de primeira viagem. Primeiramente, da diretora, que falha na criação de algumas subtramas e não encontra a potência necessária de algumas cenas -- uma cena envolvendo uma morte inesperada não atinge o grau de emoção exigido, por exemplo. Isso, de uma maneira ou de outra, acaba derrubando o filme para baixo.


Além disso, não se sabe se por conta da direção ou por limitações de atores, há muitas atuações realmente robóticas em cena. Emoções claramente moduladas, falas obviamente decoradas. Falta a naturalidade que a trama exige, como Pieces of a Woman tem de sobra -- outro filme de maternidade que falamos há pouco aqui. Há naturalidade na trama, mas não nas atuações.


Dessa forma, o filme acaba tendo sua força subtraída conforme o tempo avança e a história vai ganhando contornos mais bem definidos. A reflexão final é boa, ainda que também surge de supetão. Mas Mar de Dentro, apesar dos pesares, é uma boa história sobre maternidade e solidão, mostrando que ainda há muito espaço e temas a serem discutidos nessa seara.

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