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  • Matheus Mans

Crítica: 'Ménage' é filme brasileiro com boas ideias, mas execução mediana


Ménage começa com três homens conversando em um ambiente que parece ser um motel. Pela conversa, logo se percebe que são poderosos (político?) e que a honestidade não é o forte do grupo. No entanto, após essa conversa inicial, a coisa se transforma: eles encontram a prostituta, com quem estavam se divertindo, morta na banheira. E agora? Como se safar dessa?


Com um inicial de ares bem teatrais, Ménage tem uma interessante mudança de tom. Quase que uma reviravolta. Afinal, a expectativa inicial é de que toda a trama vai se debruçar nos acontecimentos que se sucedem à morte da garota de programa. Mas nada disso. O longa-metragem nacional abraça o surrealismo e passa a falar sobre vício, drogas e paranoia.



No entanto, há um certo amadorismo por trás de toda essa condução. Luan Cardoso, o diretor, é extremamente jovem. Tem apenas 26 anos e este é o primeiro longa-metragem do cineasta, que começou a filmar curtas ainda na adolescência. Percebe-se qualidade em seu trabalho, e isso é louvável, mas falta experiência. Algumas cenas são truncadas, outras são artificiais, exageradas.


Isso quebra consideravelmente a experiência geral com Ménage. Há momentos que escapam, que parecem não ter uma continuidade geral -- o que é refletido também nos atores, que parecem não saber em qual ponto chegar. Seria mais interessante se o roteiro fosse focado em uma única narrativa, mais sólida e consistente, explorando esse clima de paranoia diretamente.


Ménage merece atenção por ser apenas o primeiro filme de Cardoso, tão jovem e que mostra talento -- só a mudança de direção da narrativa já é rica demais. Faltou apenas mais experiência em como fazer com que essa história seja mais coesa. Do jeito que ficou, dispersa e explorando várias áreas, ficou cansativo. E fica a sensação que a história não foi explorada como deveria.

 

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