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  • João Pedro Yazaki

Crítica: ‘Mortal Kombat’ é a maior bomba do ano


Até agora, nenhum filme baseado em games foi realmente bem recebido. Ainda que os recentes Assassin's Creed e Tomb Raider tenham registrado boas bilheterias, ambos foram bombardeados de críticas negativas vindas de todos os lados, principalmente dos fãs. Talvez, o único que providencia uma diversão bacana é Sonic: O Filme.


Pois bem, chegou a vez - novamente - de Mortal Kombat, uma das maiores e mais antigas franquias de jogos de videogame, com mais de 20 jogos em diversas plataformas desde 1992. Depois de duas adaptações em 95 e 97, o game de luta mais famoso do mundo retorna ao cinema para, finalmente, entregar uma obra cinematográfica 100% fiel a esse rico universo de personagens memoráveis. O objetivo principal do filme é trazer uma experiência marcante para os fanáticos e, ao mesmo tempo, entreter os “leigos”. Contudo, já adianto aqui: Mortal Kombat é horripilante. Definitivamente, um dos piores filmes do ano.


O longa é dirigido pelo estreante Simon McQuoid e produzido pelas mesmas cabeças criativas de Annabelle, Jogos Mortais, Invocação do Mal e diversas outras produções conhecidas. Sua trama recicla alguns acontecimentos dos games a fim de criar algo novo. Assim sendo, a história gira em torno de Cole Young (Lewis Tan), um jovem lutador de MMA que teve a vida virada pelo avesso quando Shang Tsung (Ng Chin Han), imperador do reino da Exoterra, envia seu melhor guerreiro, Sub-Zero (Joe Taslim), para matar Cole e todos os portadores da marca do dragão. Junto com os principais campeões da Terra como Jax, Sonya Blade, Kano e outros personagens dos jogos, Cole Young se prepara para lutar contra Sub-Zero e seus aliados no maior torneio do universo, o Mortal Kombat.


Antes de mais nada, é interessante falar sobre a escolha polêmica do protagonista. Ela segue uma linha comum em alguns estilos de narrativa. Cole Young é o clássico garoto desacreditado, mas que possui um certo talento raro. Sua jornada será repleta de aprendizados, para que haja um crescimento e, no final, ele consiga superar os obstáculos. Evidentemente, é o típico protagonista empático; uma tentativa de trazer um personagem “humanizado” em uma história repleta de seres endeusados.


No entanto, a tal empatia por Cole não funciona. O filme empurra goela abaixo motivos para o público se afeiçoar pelo herói e torcer por ele, mas isso obviamente não acontece. É um personagem sem carisma e facilmente descartável para o enredo.

Além disso, nem os fãs dos jogos gostaram da ideia, pois Cole Young não é nem de perto o lutador mais interessante da franquia. Seus companheiros de jornada são muito mais atraentes. Tirando os já citados, temos Raiden, Liu Kang e Kung Lao junto aos heróis. Já do lado dos vilões, estão Mileena, Reiko, Kabal, Nitara e Goro. Infelizmente, são pouquíssimas as cenas onde esses personagens mostram as suas habilidades mais fascinantes. Quando aparecem, é mais para ter alguns segundos de fanservice do que qualquer outra coisa. Por sinal, o famoso fanservice neste filme é algo inacreditável. Inúmeras vezes vemos personagens falando alguma frase famosa dos games, sem preocupação com a coerência. O que era para ser engraçado, acaba causando um sentimento de vergonha alheia.


A trama em si também é bem fraca. Trata-se de uma narrativa sem qualquer preocupação em contar uma história com começo, meio e fim. Tenta trazer a jornada do herói para o espectador sentir que tem algo acontecendo, mas na verdade é apenas uma sucessão de cenas mal ajambradas. O conflito principal não tem impacto ou força, o investimento emocional é praticamente inexistente e os personagens são poucos carismáticos. Nem é preciso falar sobre a composição audiovisual. Não há trabalho na cinematografia, tampouco na trilha sonora. Nem os efeitos visuais impressionam. Resumindo tudo isso, é um filme chato, sem qualquer identidade.


E vamos ao que realmente interessa quando se trata de Mortal Kombat: ação e violência. O filme é de fato bastante sangrento. Toda luta envolve membros decepando e sangue jorrando. Contudo, aqui é onde o filme mais peca: na falta de diversão. O longa depende inteiramente das lutas entre os personagens, logo o ideal é que a ação nos entretenha o tempo todo, porém isso não acontece. Com exceção da primeira, as cenas são desprovidas de criatividade, além de não valorizar as habilidades especiais de cada personagem. Tudo soa completamente genérico. Nem parece que estamos assistindo a uma adaptação de um jogo mundialmente conhecido por seus confrontos espetaculares.


Aliás, alguns devem estar se questionando sobre o Scorpion, estrela dos jogos ao lado de Sub-Zero. Alguns dos golpes mais emblemáticos da franquia são protagonizados por ele. O personagem no longa-metragem é do renomado Hiroyuki Sanada, conhecido por suas habilidades com artes marciais e seus filmes de samurai japoneses. Um ótimo ator, de muitos recursos artísticos, completamente desperdiçado neste filme. Scorpion aparece em um total de duas cenas: no começo e no final, ambas envolvendo Sub-Zero. A primeira, literalmente nos minutos iniciais, é uma boa cena de ação. Claro, graças à performance do ator japonês. Já a última, o confronto final entre Scorpion e Sub-Zero, a cena mais aguardada do filme, não dura nem 5 minutos. Assim como nas outras lutas, é extremamente sem graça.


Enfim, pelo o investimento e por toda a relevância dos jogos, o novo filme de Mortal Kombat claramente poderia ter sido muito mais interessante. O maior pesar é não conseguir nem ao menos ser divertido ou engraçado. Deveria ser um bom entretenimento para o final de semana, porém nem isso consegue. A história é fraca, pouco envolvente e quando parece que vai engrenar, ela simplesmente acaba. Provavelmente, teremos uma continuação em breve. Para o bem do cinema, nem deveria existir. Já pode colocar Mortal Kombat na lista de piores do ano.

#Crítica #Cinema #Ação #Filme

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