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  • Matheus Mans

Crítica: 'Nadando Até o Mar Ficar Azul' é filme lento e contemplativo


Já vou avisando: é preciso paciência para assistir ao documentário Nadando Até o Mar Ficar Azul, do elogiado e badalado cineasta chinês Jia Zhangke. Selecionado para a mostra de documentários do Festival de Berlin, o documentário busca contar a história da China e de seus costumes a partir de relatos aparentemente banais de familiares do diretor e de escritores.


É, assim, uma trama com endereço certo. No entanto, para chegar até lá, Jia se vale do que já vimos em Dong ou até mesmo na obra de Coutinho (que aparece numa divertida vinheta de abertura nessa 44ª Mostra): pessoas. São elas, e suas memórias e percepções, que ajudam Jia a construir esse mosaico mais complexo que vai além e configura a complexidade geral da China.

Não é um filme fácil, tampouco simples. É preciso paciência para adentrar nos campos trigueiros que o cineasta planta ao longo do caminho. A primeira meia hora, por exemplo, é a mais difícil de atravessar. É lenta e vai por um caminho estranho. No entanto, fica clara as intenções de Jia quando entram os depoimentos dos escritores, trazendo humanidade à tela.


A fotografia ajuda a compor o ambiente, que tenta não tirar a atenção de seus entrevistados. São 18 capítulos no total, divididos nas quase 2 horas de projeção, que formam quase que uma enciclopédia de memórias e sentimentos em relação à China a partir de 1949. E há algo mais certeiro e correto do que falar de um país senão por meio de seus próprios povos e histórias?


Enfim, Nadando Até o Mar Ficar Azul não é um filme revelador, memorável e histórico. É bonito, mas cansativo. É inteligente, mas não empolgante. No entanto, é inegável que Jia alcança seu objetivo e, de alguma forma, faz com que sua carreira fique ainda mais interessante e consolidada. Estou curioso para ver os próximos passos desse marcante cineasta chinês.

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