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  • Matheus Mans

Crítica: Nem Joey King salva 'The Lie', novo filme do Amazon Prime Video


Apesar de ter ficado marcada por A Barraca do Beijo, a atriz Joey King tem se provado como uma artista que vai além da comédia romântica adolescente. Surpreendeu muito em The Act, série dramática poderosa, e agora chama a atenção também em The Lie, longa-metragem original que chega ao Amazon Prime Vídeo nesta terça-feira, 6. Mas desconjuntado e sem história, o filme não é salvo nem pela atuação de King.


Mas, como sempre, vamos por partes. The Lie conta a história de Kayla (Joey King), uma garota que está indo para uma competição de balé. No entanto, no meio do caminho, ela acaba encontrando uma amiga à beira da estrada. É a deixa para dar uma carona. Mas aí, outra situação inesperada. Após uma parada para fazer xixi, a protagonista vivida por Joey King acaba matando a colega. É o início de uma trama repleta de idas e vindas.


Afinal, a diretora Veena Sud (de The Killing, série que lembra demais The Lie) acaba focando a trama do longa-metragem na reação dos pais. Protetores, eles acabam fazendo de tudo para proteger a filha de uma possível prisão. Ainda que se sintam derrotados, não cansam de perseguir pistas para abafá-las e, principalmente, colocar a investigação em um outro rumo para que, assim, suas vidas não sejam abaladas.

E o grande problema de The Lie está na história de Sud, adaptada de um filme chamado Wir Monster. Afinal, ainda que uma reviravolta lá pro final seja boa e traga uma ressignificação para todo o longa-metragem, não se pode dizer que há uma trama de fato aqui. Ela é muito rasa, quase inexistente. Dessa forma, os cerca de 90 minutos de projeção se arrastam, consomem o ânimo do espectador. É um filme muito, muito monótono.


A sensação que dá, nessa mistura mal ajambrada de Precisamos Falar Sobre Kevin com The Killing, é que toda a história foi construída em prol da reviravolta. É um erro brutal. Afinal, como ficar realmente impactado pelo que é mostrado nos minutos finais se não há trama, envolvimento, desenvolvimento? Por mais que King se esforce, assim como Peter Sarsgaard como o pai da garota, as coisas não andam. Não empolgam.


No final das contas, a tal reviravolta até gera certo espanto. É relativamente ousada, desconcertante. Mas, rapidamente, a sensação e a emoção com esse twist passam e fica só a pergunta: como isso poderia ser real? Como poderia ter acontecido? Não temos personagens reais ou bem desenvolvidos para balancear a estranheza desse ato final. Fica a sensação ou de que todos são sociopatas ou que o filme é muito ruim.


Eu, particularmente, fico com a segunda opção. Não é à toa que The Lie ficou engavetado ao longo de dois anos pela Blumhouse, que não sabia o que fazer com o longa. A saída, finalmente, foi colocar o filme neste especial do Amazon Prime Vídeo. E agora, depois da exibição de The Lie e de Black Box, passa a ter a suspeita de que isso não passa de um descarte qualquer de filmes genéricos de suspense e horror. E só.

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