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  • Matheus Mans

Crítica: 'No Matarás' é filme frenético do Amazon Prime Video


Que boa surpresa esse No Matarás, novo longa-metragem exclusivo do Amazon Prime Video no Brasil. Dirigido por David Victori (La Culpa) e protagonizado pelo ator espanhol Mario Casas, cada vez mais popular depois de Um Contratempo e Remédio Amargo, o longa-metragem do Prime Video é uma montanha-russa de emoções. Com direção ousada, o filme é daqueles frenéticos.


Afinal, No Matarás começa num marasmo. Dani (Casas) é um cara comum, que trabalha em uma agência de turismo e cuida do pai moribundo. Quando ele morre, Dani se vê sozinho, talvez pensando em embarcar em uma nova viagem. É aí que acontece o imprevisível. Ele conhece Mila (Milena Smit, excepcional), uma garota inconsequente que coloca Dani no centro de um crime.


Victori, depois de uns 20 minutos sem acontecer nada na história, coloca o espectador em um ritmo frenético não visto nos cinemas há algum tempo -- imagino como deve ser absorver essa produção na tela grande. A tensão sexual, com carga erótica fortíssima, entre Dani e Mila, a violência que surge de maneira inesperada, o desespero, a fuga, a sensação de paranoia. Medo.

Lembra um pouco o excelente filme paraguaio 7 Caixas. É desespero do começo ao fim.


É difícil não ficar preso na história. O cineasta se vale de uma série de recursos que amplificam a sensação de tensão, como as cenas com pouquíssimos cortes, a trilha sonora acelerada e, principalmente, o acerto de Mario Casas como protagonista. Ele, assim como já tinha mostrado em outras produções, consegue transitar bem entre emoções, elevando o nível geral do filme.


Tudo bem que o roteiro de Victori, Jordi Vallejo (da série O Inocente) e Clara Viola (Zero) dá uma exagerada, principalmente lá pro final -- a última cena é de uma conjunção de causalidades absurda, que beira o tosco. Mas tudo bem. O espectador ainda se encontra em estado de torpor com tudo que aconteceu depois de Dani pagar um par de hambúrguer para uma estranha.


O negócio, em No Matarás, é deixar que o longa-metragem guie as sensações, emoções e tudo mais. Não é uma produção espanhola do nível de Oriol Paulo, como Um Contratempo ou El Cuerpo. Falta mais sacadas de roteiro, principalmente. Mas tudo bem. Quem viajar na proposta do filme, entendendo tudo que ele permite sentir, vai ter uma experiência deveras marcante.

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