• Matheus Mans

Crítica: ‘O Estrangeiro’ é bom filme de ação com Jackie Chan


O astro chinês Jackie Chan ficou marcado ao longo de sua carreira com papéis em filmes que misturam ação e comédia, gerando títulos como A Hora do Rush e Volta ao Mundo em 80 Dias. Porém, como qualquer ator preso à papéis, a fórmula secou aos poucos e Chan sumiu. Agora, ele tenta voltar ao brilhantismo de outros tempos com O Estrangeiro, longa de ação dramático que conta com atuações muito mais sérias e uma intrincada trama política. Será a volta do astro?

No centro da história temos Quan (Chan), um dono de restaurante em Londres que vê sua vida ir por água abaixo quando a filha é morta num atentado terrorista. A partir daí, ele volta ao seu treinamento militar e começa uma intensa perseguição aos políticos envolvidos na investigação. Dentre eles, o vice-ministro da Irlanda, o misteriosos Liam Hennessey (Pierce Brosnan, fazendo seu papel de sempre). É uma desesperada e urgente tentativa de fazer a Justiça acontecer.

Antes de tudo, é preciso dizer: que surpresa a atuação de Jackie Chan. Quem acompanha os seus filmes comerciais está acostumado com o astro chinês em cenas de luta cheias de cortes e com coreografias mirabolantes. Por trás, só um fio de interpretação. Em seu novo filme, porém, as coisas estão diferentes: Chan consegue dar uma tristeza dura para o seu personagem e impressiona, aos 63 anos, com cenas de ação fortes, quase sem cortes e de uma crueza avassaladora.

É ele, então, que consegue dar força para a história nos primeiros minutos. Afinal, Brosnan está bem e até mesmo acaba se tornando o protagonista do filme no lugar de Chan. Mas o seu papel é apenas uma pequena variação do que já foi visto em longas como o péssimo Urge e até no recente Invasão de Privacidade. Ele é funcional dentro do que o filme precisa, mas não vai além. Se tivessem deixado maior tempo de tela com Chan, o resultado seria um pouco melhor.

Ainda assim, porém, não vamos tirar os méritos do filme. O roteiro é raso, dando soluções fáceis para as complicações encontradas, mas faz o que cumpre e ainda desmistifica a tal figura terrorista que Hollywood insiste em reafirmar a cada filme. Há, também, uma ou outra reviravolta interessante, ainda que previsível, e boas situações políticas orquestradas nos bastidores. Não é um roteiro genial, mas funciona. É uma mistura de John Wick com Busca Implacável.

O que ajuda a sustentar o filme, junto com a atuação de Chan, é a surpreendente direção de Martin Campbell. Apesar de experiente, o cineasta tem uma carreira instável: ele dirigiu os ótimos 007: Cassino Royale e 007: Contra GoldenEye, assim como também foi o grande responsável pela bomba Lanterna Verde. Pois é. Em O Estrangeiro, porém, Campbell é feliz ao unir drama com ação e consegue deixar o espectador vidrado na tela em algumas cenas específicas.

Há uma sequência em um aeroporto, por exemplo, que dá vontade de levantar da poltrona. Ele também é feliz ao filmar as cenas de luta com Chan de maneira crua e direta, sem toda a firula que o astro chinês está acostumado. Uma passagem em específico é sensacional e é possível ver que Chan ainda está em forma. Tudo isso visando o realismo, mostrando todas as limitações do protagonista e, ainda, mostrando que ele pode sofrer e levar a pior em algumas situações.

Por fim, O Estrangeiro peca com um trama rasa e que deixa alguns fios soltos, além de dar protagonismo para o personagem banal de Brosnan. Ainda assim, porém, a ótima atuação de Chan e a direção firme de Campbell, que consegue imprimir um bom ritmo ao filme, faz com que o longa-metragem ganhe pontos e se torne uma obra singular na carreira do astro chinês. Há, ainda, uma deixa para continuações. Talvez Chan volte ao cinema internacional aqui. Eu, particularmente, estou na torcida.

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