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  • Matheus Mans

Crítica: 'O Labirinto' é suspense apenas competente, sem grandes momentos


Quando pensamos em um filme que junta Dustin Hoffman com Toni Servillo, certamente nossas expectativas com a produção vão lá pro alto. Oras, são dois nomes certeiros do cinema -- um com uma carreira invejável em Hollywood, com A Primeira Noite de um Homem e Todos os Homens do Presidente, o outro como o principal nome do cinema italiano, com A Grande Beleza.


Por isso, pode-se dizer que o thriller O Labirinto não chega perto do que poderia ser ao juntar essas duas figuras. Dirigido, roteirizado e inspirado em um livro de Donato Carrisi, o longa-metragem conta a história de um detetive particular (Servillo) que se envolve em um mistério intrigante: o que aconteceu com Samantha, jovem sequestrada e que reapareceu anos depois?


A partir daí, o roteiro de Carrisi se movimenta por meio de duas linhas narrativas. Em uma delas, vemos Servillo tentar desvendar esse mistério. Tem um ar de A Garota na Névoa, outro thriller com o ator italiano e que elogiamos aqui no Esquina. Do outro, vemos um médico (Hoffman) em longas conversas com a jovem Samantha para entender detalhes do que aconteceu com ela.

Dessa forma, há bons pontos nessa construção de tensão por parte de Carrisi, que vai plantando sementes de dúvida na mente do espectador ao longo da exibição. No entanto, os principais responsáveis pelos bons momentos do filme são os próprios Servillo e Hoffman, que conseguem dar profundidade aos seus personagens mesmo com o roteiro meia boca de Carrisi.


Afinal, mesmo com esse começo promissor e os bons atores em cena, O Labirinto acaba se perdendo em um emaranhado de chavões do gênero, sem nunca encontrar ou buscar profundidade em absolutamente nada. Parece um daqueles enlatados da TV americana, dos anos 1980. Só que, ao invés de meia hora, tem exagerados 130 minutos de duração.


A sensação que fica é que Carrisi não conseguiu levar seu romance para as telas de maneira saborosa, como fez anteriormente em A Garota na Névoa. Fica na mesmice, no cansaço. Além disso, o roteirista/autor/diretor acaba focando seu esforço na reviravolta final, que surge lá pelos últimos minutos. Parece que o filme todo foi construído para chocar naquele momento.


Não é assim que se faz suspense, tampouco é dessa forma que Carrisi vai cativar o público. Talvez o bom resultado com A Garota na Névoa (que também é dirigido e roteirizado por ele) tenha criado uma ilusão ao redor da forma de fazer filme: é preciso mais celeridade e mais linguagem de cinema. Ah, e convenhamos: faltou mais Servillo e Hoffman juntos em cena.


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