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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'O Som do Caos', da Netflix, é filme chato e sem propósito


Estreia da Netflix desta sexta-feira, 17, o suspense belga O Som do Caos se concentra basicamente na história de dois personagens: Matt (Ward Kerremans), um influencier, e sua namorada-esposa Liv (Sallie Harmsen). Eles acabam de se mudar para a cidade-natal do rapaz, em busca de um pouco da paz do interior, mas Matt se torna repentinamente infeliz quando se depara com seu passado, com a figura de seu pai e com o mistério de uma fábrica abandonada.


Nesse contexto, os dois personagens constroem narrativas bem distintas nessa cidadezinha do interior. De um lado, Liv tenta fazer com que seu negócio de catering funcione enquanto também cuida do pequeno Julius, o filho do casal. É uma vida bucólica e que começa a ficar sem sentido rapidamente. No entanto, ela é a pessoa que coloca o espectador na narrativa -- é como se víssemos todo o filme por seus olhos, já que parece ser a única pessoa sensata dessa relação.


Matt, enquanto isso, é um cara que começa a mostrar problemas psicológicos. Fica absolutamente obcecado com o mistério dessa fábrica -- que, para nós, espectadores, nada tem a dizer -- e não aguenta mais o barulho que seu filho faz toda noite. Lembra um pouco a obsessão do protagonista do livro Gog Magog, que comete um crime por conta do barulho que seu vizinho faz. A grande questão é que não há como se importar com o drama de Matt.

Tudo é absolutamente vazio de significado, muito por conta do roteiro fracionado e sem vida. As coisas se repetem na tela e as obsessões do personagem são enxergadas não só com descrença, mas também com desinteresse. Quando ele começa a ver coisas estranhas acontecendo na casa (como a batida cena de paredes e pisos respirando e por aí vai), o filme ainda se mantém numa seara de obviedades. Não há frescor algum na história que é contada.


Steffen Geypens, o cineasta estreante em longas, mostra bastante de sua inexperiência com a condução da história. O Som do Caos é um filme que deveria ser focado em criar ambientação: é ela que causa medo e tensão, não o que os personagens estão pensando, vendo ou sentindo. E ele, muito também por conta do roteiro assinado por Geypens, Robin Kerremans e Hasse Steenssens, não consegue criar a ambientação necessária para que o espectador mergulhe.


Imagine se houvesse um trabalho acertado de design e edição de som, por exemplo, colocando o espectador na loucura do personagem. Ou, ainda, que a trama nos deixasse desnorteado, sem saber o que é verdade ou mentira, ao invés de mostrar Matt sempre como alguém desequilibrado. Seria bem melhor. Do jeito que ficou, o filme não consegue nos trazer nada: nem medo, nem tensão, nem curiosidade. É o vazio pelo vazio. E mais um filme ruim da Netflix.

 

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