• Matheus Mans

Crítica: 'O Tesouro Esquecido' traz descoberta artística histórica


Até a queda do muro de Berlim, em 1989, a Alemanha era dividida. De um lado, o Ocidental, havia um alinhamento com o governo norte-americano. Capitalista. Do outro, Oriental, havia um alinhamento com a União Soviética. Socialista. E é sobre a arte da República Democrática Alemã, comumente chamada de Alemanha Oriental, que se debruça O Tesouro Esquecido.


Dirigido por Tom Ehrhardt, o longa-metragem conta com uma descoberta histórica: um colecionador em Goiás que, discretamente, montou uma das maiores coleções do mundo sobre a arte que era produzida na RDA. São pintores e escultores que agiam longe da vista grossa de militares e censores, fazendo uma arte libertária e buscando um olhar apurado sobre a vida.

Assim, O Tesouro Esquecido mostra detalhes dessa coleção, a história do colecionador e, principalmente, como a vida, a liberdade e ideologias trafegam nas tintas eternizadas na tela.


Mas o grande ponto alto de O Tesouro Esquecido, porém, está nas conversas de Chagas -- o colecionador -- com os pintores em si. Há poesia nas conversas. Principalmente, numa rápida visita à casa de Gerda Lepke, pintora talentosa e já na casa dos 80 anos, que faz um retrato ali, na hora, de seu amigo brasileiro. A cena transpira poesia, arte, História. É linda de assistir.


Se não fosse por um segundo ato perdido, com depoimentos que não agregam muito à trama em si, O Tesouro Esquecido seria daquelas pérolas maravilhosas que entram para a história do cinema e da arte. No entanto, ainda assim, vale o destaque. É uma história interessante de conhecer, de se aprofundar e de entender melhor da arte desse país tão esquecido na História.

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