• Matheus Mans

Crítica: 'Obsessão' é suspense brega e preguiçoso


Frances (Chloë Grace Moretz) é uma jovem mulher cuja mãe acabou de falecer. Repleta de problemas com o pai, ela acaba se mudando para Manhattan e forma uma amizade improvável com Greta (Isabelle Huppert), uma viúva bem mais velha que ela. Porém, conforme as duas se tornam melhores amigas, as atenções da viúva se mostram muito mais sinistras do que ela imaginava. Esta é a trama do fraquíssimo suspense dramático Obsessão, longa que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 13.

Dirigido por Neil Jordan (Byzantium), o filme acerta em duas únicas coisas: no visual e nas atuações das protagonistas. Sobre o primeiro ponto: há um interessante esforço por parte do cineasta em transformar o péssimo roteiro escrito por ele próprio e por Ray Wright -- que é o autor, também, da história original. A história, tradicionalmente oitentista, possui alguns refrescos ao longo de sua execução, mas nada que alivie totalmente o ar ultrapassado da produção. Neil Jordan podia ter resolvido no roteiro.

Já sobre o outro aspecto, é difícil ver um filme em que Isabelle Huppert (Happy End) que seja problemático por alguma atuação da estrela francesa. Aqui, ela se entrega no limite do possível e possui alguns momentos interessantes -- uma cena num restaurante é particularmente empolgante. Ela leve o nível do filme em muito. Já Grace Moretz (O Mau Exemplo de Cameron Post) possui uma jornada como atriz um pouco mais instável. Mas, ainda assim, aqui ela está bem. Apresenta uma personagem assustada e acuada.

E é só. O resto do filme é ladeira abaixo. A trama, como já ressaltado, parece saindo de algum período obscuro da década de 1980 -- quase 1990. É um daqueles suspense óbvios, preguiçosos, que terão saída apenas em sessões de filme nas madrugadas da TV aberta. Ainda que a personagem de Huppert desperte um certo medo, e gere tensão, está longe de ser algo bem construído. As coisas se atropelam, a mente atormentada de Greta não devidamente explicada. Tudo parece jogado ali pra criar suspense plastificado.

O pior é a conclusão de Obsessão. O filme assume de vez seu ar brega e preguiçoso, adotando facilitações narrativas que não fazem muito sentido. É uma sucessão de acontecimentos que, se você parar para pensar cinco minutos, não fazem sentido dentro de toda a narrativa construída até ali. A vontade que dá é sair da sala de cinema, pedir o dinheiro do ingresso de volta e falar mal do filme para os outros. Mas quem busca suspense pastelões, só pra se divertir e ficar levemente tenso, pode ter uma boa impressão geral do filme. Mas não pense muito depois que sair da sala. Senão...

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