Buscar
  • Matheus Mans

Crítica: 'Operação Overlord' entretém, mas passa do limite


Muito se especulou de que Operação Overlord seria mais um filme da franquia Cloverfield. O produtor J. J. Abrams, porém, logo veio a público dizer que era apenas mais um longa independente, sem quaisquer ligações. Talvez essa decisão tenha vindo após Abrams ver o resultado geral de sua nova produção. Afinal, ainda que seja um divertido entretenimento, a baixa qualidade de Operação Overlord poderia enterrar de vez a saga do monstro Cloverfield, que já decepcionou no péssimo Paradox.

Dirigido por Julius Avery (do mediano Sangue Jovem), Operação Overlord conta a história de um grupo de soldados, em plena Segunda Guerra Mundial, que tem como missão destruir uma base dos nazistas na França. Do pelotão, porém, só quatro sobrevivem -- Boyce (Jovan Adepo), Tibbet (John Magaro), Chase (Iain De Caestecker) e Ford (Wyatt Russell). Para conseguir cumprir a missão, então, eles ainda contarão com a ajuda da francesa Chloe (Mathilde Ollivier) e do pequenino Pierre (Trevor Feldman).

Apesar de parecer, Operação Overlord não é apenas mais um filme sobre a Segunda Guerra Mundial, é claro. Como tempero da trama, Avery e os roteiristas Mark L. Smith (O Regresso) e Billy Ray (Jogos Vorazes) inserem super-soldados, quase que zumbis, para dar um toque de horror e originalidade para a história. Funciona apenas em partes. Afinal, o cineasta se exalta, passa dos limites e cria algo no limite da vergonha alheia.

Mas alguns pontos precisam ser exaltados. Avery sabe dirigir violência como poucos, chocando em algumas sequências e dando ritmo em outras. Aos que possuem estômago fraco, fica aí o aviso: melhor ir em outro filme. Há membros decepados, sangue espirrando para todo lado e cabeças esmagadas -- ao melhor estilo dos filmes de exploitation. É um dos pontos altos do longa-metragem, que não economiza e ajuda a criar o clima geral de guerra. Efeitos especiais também impressionam e convencem.

De resto, além da ideia geral e da direção certeira de Avery na direção, há vários problemas. A começar pelo elenco, desconjuntado e sem muita coesão. Jovan Adepo não consegue repetir o bom desempenho de Um Limite Entre Nós e apresenta uma interpretação pasteurizada, com poucos arroubos de emoção. O mesmo vale para a estreante Mathilde Ollivier, que não consegue alavancar sua personagem. Wyatt Russell, Iain De Caestecker e John Magaro estão operantes -- principalmente este último, bem mais solto e integrado com sua narrativa. De resto, poucos destaques.

A história, que começa interessante, original e divertida, vai se perdendo para clichês e convenções do gênero que já não mais agradam. O que era para ser zumbi passa a ser tratado como seres super-poderosos que não faz sentido algum na tela e criam sequências verdadeiramente vergonhosas -- a conclusão, envolvendo o personagem de Boyce e um general alemão, dá vontade de levantar e ir embora. É tudo muito mal orquestrado, como já vem ocorrendo em recentes filmes de zumbis como Infectados e Cargo.

Assim, Operação Overlord vai divertir fãs de filmes de zumbis -- super-poderosos, não os que rastejam e são burros -- e que possuem muita ação, como a própria série Walking Dead e afins. Mas não dá pra pensar muito na história, nas atuações ou na coerência de tudo que está acontecendo ali. É um daqueles entretenimentos acéfalos, assim como os super-zumbis que integram a trama, que só divertem pela ação e pela violência. Ainda bem que não entrou pra franquia Cloverfield. Seria, de fato, a última pá de cal.