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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'Os Fabelmans' é um dos mais belos trabalhos de Steven Spielberg


Todo mundo sabe, e concorda, que Steven Spielberg é um dos maiores cineastas vivos. Ele não só sabe contar histórias empolgantes, que deixam qualquer um preso com os olhos na telona, como também sabe emocionar, fazer rir e até mesmo deixar qualquer um tenso. E é isso tudo (e mais um pouco) que ele faz em seu memorialista e pessoa Os Fabelmans, estreia de quinta, 13.


Assim como Belfast, Bardo e Armageddon Time, o longa-metragem busca ser um resgate de memórias do cineasta sobre sua formação como cineasta, como pessoa, como indivíduo. Enquanto esses outros três filmes acabam focando em assuntos mais complexos, para dar um ar de superioridade às histórias, Os Fabelmans faz o que precisa: falar sobre o que vale a pena.


Spielberg não se enrola muito na forma de contar sua história, nem tenta complicar. É, basicamente, a história de Sammy (Gabriel LaBelle), esse garoto que começa a ter uma paixão quase inexplicável pelo cinema ainda bem jovem. No entanto, enquanto aprende a mexer na câmera, ele também precisa lidar com a relação dos pais (Michelle Williams e Paul Dano).


Na superfície, eles se amam. No entanto, conforme Sammy vai ficando mais e mais observador, ele começa a notar que as coisas não são bem assim. A frustração surge, assim como a tristeza.

Spielberg mostra como domina essa história, obviamente. Cada detalhe na vida do jovem Sam pode ser, pelos espectadores mais atentos, refletidas em outros filmes importantes do cineasta, que reproduz símbolos, ideias e significados de coisas que ele teve contato durante sua formação. É bonita essa forma de celebração do cinema de Spielberg em todas suas camadas.


Muito desses bons acertos partem, também, da ótima atuação do jovem LaBelle (O Predador). Não só dá para ver um jovem Spielberg em cena, como também ele segura as pontas pelo passeio que o roteiro de Spielberg e Tony Kushner (Lincoln, Amor Sublime Amor) dá entre os gêneros: em Os Fabelmans, temos cenas de comédia, de romance, de drama. E tudo natural.


Não há um cineasta tentando ser engraçado, tentando deixar sua própria história mais dramática -- os principais erros de Branagh, Iñárritu e Gray. Ele deixa a coisa fluir e, assim, faz um filme verdadeiro. O sentimento aflora. E, com isso, a história nunca perde a graça e o encanto. É o melhor filme de Spielberg desde o pouco celebrado As Aventuras de Tintim.


O único ponto de atenção é para o retrato da mãe de Sam, Mitzi (Michelle Williams). Há vários problemas na construção da personagem. A começar pela atuação estranha da atriz, geralmente tão talentosa, que acaba caindo em uma zona canastrona, e até chegar no pior ponto do filme: o retrato dessa mulher como alguém que arrastou a família para problemas maiores.


Tudo bem que é a própria história de Spielberg, mas fica a sensação de que o pai foi apunhalado pelas costas e ela é a única culpada de toda a situação. Será? Enfim: Os Fabelmans é um filme lindíssimo sobre memória, família, amadurecimento, cinema. Mais do que uma celebração de Steven Spielberg sobre o seu próprio trabalho, mas uma celebração da importância do cinema.

 

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