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  • Matheus Mans

Crítica: 'Os Olhos Negros de Marilyn', da Netflix, é filme italiano simpático


Gastronomia e psicologia. Esses dois temas, tão díspares e ao mesmo tempo tão próximos, são o foco de Os Olhos Negros de Marilyn, longa-metragem italiano original da Netflix que chegou ao catálogo na última terça-feira, 15. Dirigido por Simone Godano (Marido e Mulher), a produção é a típica história bonitinha, típica da Sessão da Tarde, que a Netflix consegue fazer tão bem.


A história mergulha essencialmente na vida de dois personagens: Diego (Stefano Accorsi) e Clara (Miriam Leone). Eles estão passando por um tratamento psiquiátrico, por motivos distintos, mas com desafios bem similares. Ele quer se aproximar da filha, enquanto ela tenta manter o equilíbrio. Nessas buscas, eles acabam encontrando na gastronomia uma saída dos problemas.


Só que nada de cozinhar ocasionalmente. Eles, na verdade, montam um restaurante no centro psiquiátrico. Diego é o chef que quer deixar tudo absolutamente nos conformes, enquanto Clara é a pessoa por trás de tudo: organiza, administra. Os outros pacientes do espaço, com problemas variados, ajudam na organização geral do espaço, servindo, atendendo, auxiliando.


Godano faz de Os Olhos Negros de Marilyn faz dessa premissa, que poderia ter ares mais fortes de drama, algo leve e divertido. Muito por conta da relação da dupla de protagonistas, que passa a ganhar camadas conforme o longa-metragem avança. Há verdade na relação dos dois, assim como uma essência que encanta: a amizade que surge e evolui a partir de um encantamento.


No entanto, é isso: Os Olhos Negros de Marilyn acaba não alcançando algumas notas importantes em sua trajetória narrativa. Simone Godano busca tão desesperadamente o tom leve e despretensioso da coisa que deixa algumas histórias importantes passarem em branco. Há um certo receio de abraçar o drama e apenas se voltar exclusivamente para a leveza.


Com isso, no final, Os Olhos Negros de Marilyn consegue atingir seu objetivo principal, e se torna um filme realmente simpático -- difícil não soltar alguns sorrisos. Só que fica a sensação de que a produção poderia ir além em seus objetivos e desejos, aprofundando uma trama que poderia trazer discussões relevantes para o que é falado ali. Mas tudo bem: funciona e encanta.

 

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