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  • Foto do escritorMatheus Mans

Crítica: 'Pânico VI' é filme divertido, mas falta criatividade típica da franquia


Pânico é, por essência, uma franquia irônica. Desde que Wes Craven colocou o primeiro filme nos cinemas, nos anos 1990, havia o desejo de ser uma história de terror por si só, mas ainda assim ri dos chavões e dos clichês das produções que fizeram tanto sucesso uma década antes. Essa ideia foi se desenvolvendo com altos e baixos até chegar em Pânico VI, estreia desta quinta, 9. A dúvida que chega é: será que ainda há algo para ser satirizado? Ou virou paródia de si própria?


Dirigido por Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett (dupla do filme anterior), o longa-metragem continua com a ideia de renovar a franquia, mas sem deixar pra trás o que aconteceu nos outros quatro filmes. Personagens queridos do público ainda estão ali, mas novos chegam. É o caso de Sam (Melissa Barrera) e Tara (Jenna Ortega), as irmãs que viraram protagonistas no recente Pânico e já caíram nas graças do público. Elas sobreviveram aos assassinatos em Woodsboro e, agora, estão em Nova York. Mas será que o medo e a violência não podem acompanhar a dupla?


É a primeira vez que a franquia sai da cidadezinha ficcional da costa leste dos EUA e parte para o outro lado do país. É um novo cenário, populoso e vibrante, que abre novas possibilidades.


Esse desejo de fazer um filme diferente do usual é refletido, principalmente, na forma que os diretores lidam com o assassino. Ainda que o Pânico seja sempre violento e intenso, o novo filme deixa tudo em cores mais vibrantes. Ele parece não ter medo de nada, passando por cima dos outros da maneira que for — com inúmeras estocadas de faca e até com tiros de espingarda. A finalidade é matar, não importa como. Isso acaba contribuindo para um ritmo bem diferente do que estamos acostumados: com dez minutos de filme, por exemplo, vemos três mortes na tela.


Assim como Nova York é uma cidade que nunca dorme, com pessoas andando freneticamente nas ruas o tempo todo, Pânico VI também é um filme de terror frenético. Isso, sem dúvidas, deve deixar aquele fã que gosta de ser surpreendido mais animado. É legal ver o vilão sendo ainda mais ativo, inconveniente, difícil de lidar. A cena da escada é um exemplo claro disso: a morte pela morte, a violência como resultado da violência. Interessante visão de Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, que conseguiram colocar uma visão particular deles próprios dentro da franquia.

Com isso, a retomada de Pânico deixa, em partes, de ser apenas uma eterna homenagem aos outros slashers. Não só há mais personalidade neste filme aqui, como também as personagens de Tara e Sam passam a desenvolver ainda mais o universo criado no filme anterior. Assim como Creed III deixou personagens do passado para trás, Pânico VI parece estar correndo atrás disso. Afinal, é pensar no futuro: daqui 30 anos, quando a Paramount Pictures quiser ganhar mais um dinheiro com mais filmes da franquia, vai precisar da nostalgia dos fãs de hoje, não?


No entanto, apesar do bom resultado do filme e de ser mais uma certeza de boa bilheteria e de sucesso de público, Pânico VI traz algo que Pânico III já apresentou: cansaço. Como falamos lá no começo do texto, Craven pensou na franquia como um cinema de mão dupla. Depois de bater, afaga. Os filmes do assassino mascarado riem dos clichês do gênero e brincam com os signos usados exaustivamente pelo horror. Com um cinema cada vez mais pasteurizado, Pânico VI parece ter dificuldades de fazer graça com certas coisas, mesmo quando ri de si próprio.


Pânico, do ano passado, achou um filão bom para ser satirizado: as “requências”, que são essa mistura de reboot com sequência. Agora, parece que não há muito mais a rir por aqui. Pânico VI apenas ri do filme anterior e se referencia o tempo todo. Isso, é claro, é algo que acontece consistentemente desde Pânico II e a franquia ficcional de filmes Stab. Mas, agora, isso deixou de ser uma piscadela para o público e se tornou a essência de Pânico: se referenciar.


Fica a dúvida de como o vindouro Pânico VII vai lidar com esse ciclo. Se Bettinelli-Olpin e Gillett, os pais dessa nova franquia, não tiverem criatividade com o que vai se suceder, fica difícil imaginar como um próximo filme vai sair da zona do “divertidinho” e se tornar memorável. Mas enfim: isso é problema do futuro. O novo, nos cinemas, ainda consegue ser um bom passatempo.


Poderiam ter explorado mais Nova York? Com certeza. Fiquei sedento por uma cena do Pânico na Times Square, por exemplo. Podia ter um final mais amarrado? Também. Perceba que algumas pontas ficam soltas, principalmente quando pensa nas primeiras cenas do filme. E, pra finalizar, Pânico VI também poderia ter uns 20 minutos a menos. Acaba se tornando cansativo no terceiro ato. Mas tudo bem: é um filme divertidíssimo e mostra que, mesmo 30 anos depois, uma franquia ainda pode funcionar. Eu, cá entre nós, já estou preparado para Pânico VII

 

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