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  • Matheus Mans

Crítica: 'Panquiaco' é filme morno, mas com beleza poética


Panquiaco é um filme singelo. Não há outro adjetivo para descrever esse longa-metragem de Ana Elena Tejera e selecionado para a 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Lento e contemplativo, o documentário acompanha a história de Cebaldo, um índio de uma tradicional tribo do Panamá que acaba indo morar e trabalhar em Portugal, enquanto vive de memórias.


Se concentrando bastante no cotidiano e na vida diária desse biografado-protagonista, Panquiaco acaba refém dessa rotina. Demora a pegar no tranco. Afinal, Ana Elena não consegue sair desse retrato morno sobre a vida de Cebaldo em Portugal. Não conseguimos exatamente entrar na mente do personagem, que trafega entre histórias, anos, tradições, outras vidas.

O filme acaba ganhando força quando a cineasta aposta em cheio em um experimentalismo visual, ainda que não tão arriscado, para mostrar como Cebaldo se conecta com suas raízes. É um momento potente do filme, fazendo essa ponte de volta para o Panamá, fazendo com que o espectador navegue também nessa história a partir de diferentes sensações e, claro, emoções.


Não é um filme perfeito, obviamente. Demora a engatar, poderia ter um pouco mais de vitalidade e mais emoção, dada a história tão interessante do protagonista. No entanto, da forma como termina, fazendo o espectador entrar nessa vida de lembranças e memórias, Panquiaco acaba se destacando e guardando algumas boas memórias -- que, quem sabe, podem voltar no futuro.

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