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  • Matheus Mans

Crítica: 'Pari' tem uma das atuações mais poderosas de 2020


Até o momento que escrevo este texto, a 44ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo está se revelando com um catálogo extremamente mediano. Muitos filmes decepcionantes, alguns beirando o insuportável. No entanto, há um longa-metragem que, ainda que não seja de grande destaque narrativo, traz uma das atuações mais poderosas de 2020: Pari, de Siamak Etemadi.


Com atuação de destaque de Melika Foroutan, o longa-metragem conta a história de dois pais que, ao chegarem do Irã na Grécia, não encontram seu filho que está morando ali já há alguns anos. Ele não os recebe no aeroporto, não atende o telefone. No apartamento em que morava, o caos está instalado. Os vizinhos não sabem onde ele está. E agora, como encontrá-lo na Grécia?


A partir daí, Pari nos entrega um cinema potente, forte e contundente para mostrar a jornada dessa mãe, principalmente. Ela, afinal, é a única que fala inglês do casal e, com isso, consegue fazer o impensável: se comunicar sem depender do marido. Essa quebra de uma barreira cultural do Irã, em solo estrangeiro, acaba servindo como ponto de libertação dessa mulher.

Foroutan (Die Mamba) compreende esses pontos conflitantes (a busca desesperada pelo filho e a libertação que vem a partir disso) e trabalha com louvor essas duas emoções, aparentemente tão conflitantes. Ela se entrega ao papel, mergulha no deslocamento cultural que vive e transpira emoção pela tela. Difícil não embarcar na jornada daquela mãe, tão vívida e tão real.


Uma pena, porém, que o diretor grego-iraniano Siamak Etemadi cometa erros típicos de uma estreia nos cinemas. Também roteirista de Pari, ele extrapola algumas reações da protagonista (como o beijo, totalmente deslocado), lida com movimentos jovens de maneira distante e, principalmente, exagera no drama. Perde o tom lá pela metade, quando não acerta mais o ritmo.


Pari, ainda assim, se revela como um importante filme emocional sobre cultura, libertação, liberdade e reencontro consigo próprio. Tem erros e exageros, que tiram a força do filme em vários momentos. No entanto, nada apaga a força de atuação de Foroutan e, principalmente, como alguns momentos, por mais dolorosos, podem nos permitir um reencontro pessoal.

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