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  • Matheus Mans

Crítica: 'Pray Away' é documentário burocrático da Netflix


A questão da "recuperação" de homossexuais é algo real, que bate na realidade de milhões de pessoas ao redor do mundo. Religiões, principalmente, se valem de deturpações da Bíblia para convencer jovens e adultos de que ser homossexual é errado, perigoso, criminoso. E é justamente nisso que se debruça o longa-metragem Pray Away, novidade original desta terça, 3.


Dirigido por Kristine Stolakis (The Typist), o documentário acompanha um grupo de pessoas relacionado ao chamado "tratamento de homossexuais". Em pouco mais de 90 minutos, o filme fala sobre pessoas que passaram pela experiência, outras que propagavam essa "cura" e, enfim, um rapaz que ainda propaga a ideia de que quem ama pessoas do mesmo sexo são errados.


É um mergulho interessante nessa realidade que poucos conhecem, mas que está lá, encravada na sociedade. É basicamente o aprofundamento de histórias já tratadas em produções como Yes, God, Yes e Boy Erased. Desta vez, porém, com potentes histórias reais, com declarações que vão além da ficcionalização. Nos sentimos mais perto dessa realidade tão dura, tão complicada.


No entanto, Stolakis tem uma direção burocrática, quase monótona. Apesar da pluralidade de vozes dos depoimentos, há pouca criatividade narrativa. O filme fica numa mesmice. O que destoa, de fato, são as entrevistas, que revelam a face cruel dessa tentativa de "cura" e, principalmente, como se dá esse movimenta que avança para diversas camadas sociais.


Além disso, Pray Away fica limitado demais na realidade dos Estados Unidos. Há casos do tipo no Brasil, no México, na Rússia. Poderiam ter explorado melhor as diversidades dessa "cura", mas como ela acaba variando de acordo com o impacto socioeconômico. Como a cura gay surge em outros países? O que há de comum? Faltou a pitada a mais, que seria bem mais inteligente.



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