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  • Matheus Mans

Crítica: 'Rogai por Nós' tem boa ideia, mas derrapa na execução


Seguindo a onda do terror investigativo, como Invocação do Mal 3 e O Grito, o longa-metragem Rogai por Nós tem uma das ideias mais legais e originais do gênero dos últimos anos: uma garota em uma cidade que começa a ser conhecida como alguém em contato com Virgem Maria. É quase uma santa. Mas, no meio do caminho, está o repórter Gerry (Jeffrey Dean Morgan).


Ele, que fica atrás de histórias sensacionalistas, entra no caminho dessa garota abençoada. Eles estreitam laços. No entanto, conforme a trama e a investigação avançam, Gerry vai compreendendo que a menina não é realmente uma santa. Ela não está em contato com a Virgem Maria. Ela está, na verdade, em contato com uma criatura do mal. Uma assombração.


O cineasta e roteirista Evan Spiliotopoulos adapta o livro de James Herbert de maneira torta. Parece que os caminhos encontrados, e propostos com a ideia inicial, nunca são aproveitados. Afinal, ao invés de seguir pela dicotomia de sagrado e profano, falando sobre adoração religiosa sem freios, o cineasta opta pelo terror banal, como já vemos aos montes nas telonas.

jumpscares para todos os lados, uma assombração genérica (lembrando aqueles fantasmas apenas para criar franquia de Invocação do Mal) e uma trama capenga. Dean Morgan (de The Walking Dead) está ligado totalmente no automático e não surpreende, fazendo com que Rogai por Nós tenha uma queda ainda maior. O resto do elenco, por mais que se esforce, não vai além.


Dessa forma, aquela dicotomia interessante sobre religião e profano se perde. É uma ideia interessantíssima que, nas mãos certas, poderia render um filme perturbador, provocativo, original e com comentários sociais -- como é o caso de A Caçada, O Homem Invisível e Nós. Tinha tudo para estar nesse panteão. Mas acaba ficando na categoria do novo O Grito.


Assim, Rogai por Nós é um desperdício. Não avança em questões importantes, fica apenas no blá-blá-blá de sempre. É cansativo, sonolento, repetitivo. O pior é que até mesmo alguns acertos, como a ideia inicial e alguns momentos mais inspirados (como a criação de culto obsessivo ao redor da personagem possuída) ficam obscurecidos nessa bobagem dirigida por Spiliotopoulos.

#Crítica #Cinema #Terror #Filme

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