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  • Matheus Mans

Crítica: 'Silenciadas', da Netflix, traz história lenta e delicada sobre bruxas


É estranho como histórias da inquisição às bruxas são pouco contada nos cinemas. Tirando o interessante e polêmico As Bruxas de Salém, com Daniel Day-Lewis e Winona Ryder, é difícil lembrar de outros bons títulos. Agora, chega o interessante e delicado Silenciadas (Akelarre), longa-metragem basco que estreou no catálogo brasileiro da Netflix nesta quinta-feira, 11.


Dirigido e corroteirizado pelo argentino Pablo Agüero (Eva Não Dorme), o longa-metragem é uma espécie de releitura do obscuro Akelarre, filme basco lançado nos anos 1980 e dirigido por Pedro Olea que mostrava o embate cultural e religioso entre povos católicos com a cultura basca. Agora, em Silenciadas, há um foco mais forte nas mulheres e em seu silenciamento.


Agüero se vale de tintas mais modernas, como a relação amigável entre as protagonistas. Até mesmo mostra a frequente culpabilização das mulheres por coisas que fogem de seu controle ou que lhes são de direito -- a beleza, a amizade, a dança, a diversão. É um filme interessante de ser visto agora, em plena era Me Too, podendo ser compreendido e interpretado profundamente.

Enquanto isso, na trama, são dois destaques. Primeiramente, o cuidado técnico visto em todos os 90 minutos. Principalmente a fotografia esplêndida de Javier Agirre (do excelente e surpreendente Handia). Com seu jogo de luzes, o filme rapidamente ganha um tom fantasioso que faz toda a diferença. Isso sem falar da ambientação, restrita e certeira em suas intenções.


Já no tocar da trama, o destaque fica nos embates entre Ana (Amaia Aberastrui, excelente no seu papel) e o inquisidor Rostegui (Álex Brendemühl, encarnando bem o papel de carrasco). Quando os dois estão na tela, sai faíscas. São os momentos em que vemos a explosão entre os dois acontecendo e que há o retrato mais interessante em uma época de perseguição.


Silenciadas poderia ser mais inteligente em algumas escolhas, além de ter tido a possibilidade de focar melhor em histórias da época ao invés de forçar uma narrativa para fazer sentido hoje em dia. A História, afinal, é uma roda. Coisas voltam a acontecer, apenas com roupagens diferentes. Deveria ter deixado a História ser contada de maneira direta e firme. Seria melhor.


No entanto, mesmo assim, é um bom exemplar de filme "caça às bruxas". O elenco está afinado, o visual é marcante, a direção de Agüero é firme. E o essencial está aqui: a mostra de como há uma espécie de repressão sistêmica às mulheres, interpretando momentos de liberdade individual como algo ruim. É um ponto a ser refletido. O quanto evoluímos desde essa época?

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