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  • Matheus Mans

Crítica: 'Silverton: Cerco Fechado' é bom filme da Netflix sobre fatos reais


Anos 1980. Na África do Sul, o apartheid é uma realidade dolorida. Negros de um lado, brancos do outro. Direitos civis limitados. A tensão é crescente. E é justamente nesse contexto que entra o trio de protagonistas de Silverton: Cerco Fechado, longa-metragem que chegou no catálogo da Netflix nesta quarta-feira, 27, e que fala sobre uma história real que aconteceu na África do Sul.


Dirigido por Mandla Dube (de Fogo Contra Fogo), o longa-metragem conta a história de um trio de rebeldes contra o apartheid (Calvin, Aldo e Terra) que, depois de uma missão fracassada, se veem obrigados a sequestrar pessoas dentro de um banco. É um assalto que não é um assalto, já que não há objetivos com fins monetários nessa questão -- é apenas pelos ideais, resistência.


A partir daí, Dube segue por um caminho em que abraça todos os clichês do cinema de assalto que já vimos por aí -- desde Um Dia de Cão, passando por O Plano Perfeito e até chegar em La Casa de Papel. Tem a relação dos sequestradores com os sequestrados que vai se desenhando, a traição e, é claro, aquela figura do policial, que fica entre bem e mal, até chegar um superior.

O diferencial em Silverton: Cerco Fechado está na potência natural da história, que é baseada em fatos. A resistência, a injustiça daquela situação, a tristeza de uma sociedade que deixou aquilo tudo chegar nesse nível assustador. Tudo isso contribui para que os clichês, ainda que um tanto batidos, se tornem mais interessantes e profundos, com significados anteriores.


As atuações também ajudam o filme a sair da mesmice, com destaque absoluto para Thabo Rametsi como Calvin. Há força e vitalidade em seu personagem, assim como uma fraqueza inesperada. Como já tinha mostrado em Fogo Contra Fogo, é um ator completo, de destaque.


O calcanhar de Aquiles de Silverton: Cerco Fechado fica para o final. O roteiro é exageradamente corrido, com uma tentativa atrapalhada para desenvolver personagens secundários -- só observar o que acontece com a mulher loira, que do nada ganha camadas (camadas?) em uma tentativa de humanizá-la. Não dá pra fazer isso correndo, ainda mais em uma trama como essa.


Enfim: apesar disso, vale a pena por seu desenvolvimento, por contar um fato histórico potente e por excelentes atuações. Ah, e fica um recado: não se deixe abater pela nota baixíssima no IMDb, que agora está abaixo de 5,0. Assim como no Brasil, há uma ala conservadora preocupante e reacionária que ataca tudo que vai contra sua ideologia e princípios míopes. É este o caso.

 

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