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  • João Pedro Yazaki

Crítica: ‘Spirit: O Indomável’ é animação agradável ao público infantil


Muitos devem conhecer o cavalo Spirit através da animação clássica de 2002. Após quase 20 anos, a DreamWorks retorna com Spirit: O Indomável, desta vez em 3D, a fim de trazer as aventuras do famoso corcel para um novo público de crianças.


O longa animado é dirigido pela estreante Elaine Bogan e escrito pelo roteirista do filme original, John Fusco. Conta a história de Lucky Prescott (Isabela Merced), uma menina que foi obrigada a viver com o avô na cidade grande após o falecimento da mãe e o pai, Jim Prescott (Jake Gyllenhaal), recusar a criá-la. Contudo, após uma confusão, Lucky aceita se mudar para a sua cidade natal, localizada no velho oeste americano, e finalmente morar com o pai. Durante o percurso até a cidade, Lucky conhece Spirit, um corajoso cavalo selvagem, com quem irá desenvolver uma relação de amizade e confiança no decorrer da história.


Inicialmente, a impressão que se tem é de ser apenas mais um desenho bobo e infantil. Spirit: O Indomável é exatamente isso, entretanto, no fim das contas acaba sendo agradável de se assistir, principalmente para as crianças. O enredo não tem nada de diferente do que já vimos em outras histórias, mas não deixa de ser divertido.


Lucky é uma menina de personalidade e possui uma simpatia contagiante. Não chega a ser uma personagem memorável, mas tem seu charme. As outras personagens, Abigail e Pru, meninas da mesma idade de Lucky, possuem o papel de guiar a protagonista em sua trajetória com Spirit. Consequentemente, acabam se tornando melhores amigas. O trio formado celebra uma amizade entre meninas que se complementam com suas diferenças, algo já visto antes em vários desenhos animados para a televisão. Uma mensagem batida, porém que ainda se mostra bastante eficaz em qualquer narrativa.

A respeito de Spirit e Lucky, ambos formam uma parceria bacana, na qual a menina aprende alguns valores importantes sobre união, companheirismo e segurança. Claro, nada de muito profundo. Irá passar em branco para praticamente todos os adultos, pois a animação de fato traz um tom bastante infantil. O filme é bem mais dedicado à diversão dos pequenos.


A maior decepção do novo longa animado da DreamWorks está nas questões técnicas. A partir do momento em que o estúdio escolhe produzir um desenho em 3D em larga escala, fica impossível de não comparar com as obras da Pixar e das recentes produções da Sony Animation. Logo, fica muito nítido o quanto essa animação está anos-luz atrás de qualquer longa animado atual.


Por mais que a animação seja sim bem feita tecnicamente, não parece ser de 2021. Claramente, a linguagem artística escolhida serve para atingir o público infantil, porém só chega a encantar os olhos do espectador em uma ou outra cena. Em desenhos assim, essa parte técnica é tão importante, que faz tremenda falta quando não é bem trabalhada.


Sendo assim, Spirit: O Indomável não chega a competir com os gigantes da indústria. É bem inferior tanto em quesitos técnicos quanto narrativos. Uma pena, pois da DreamWorks surgiram Shrek e Como Treinar seu Dragão, duas grandes franquias. A empresa tem bastante potencial em se equiparar às outras. No entanto, Spirit não deixa de ser uma animação agradável de se assistir. Os personagens têm charme e a história diverte qualquer criança. Um filme bacana para um final de semana em família.

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